Iêmen volta a ser santuário da Al-Qaeda no Oriente Médio

O mapa do terror islâmico no Oriente Médio sofreu uma grande mudança nos últimos cinco anos. Após serem alvos de atentados sangrentos de grupos ligados à Al-Qaeda, Arábia Saudita, Jordânia e Egito implementaram políticas de combate ao terrorismo que reduziram a atividade dessas organizações nos seus territórios, obrigando-as a buscar novos locais para perpetuar suas carnificinas.Como nos anos 1990, o Iêmen voltou a ser um dos paraísos da Al-Qaeda. No mês passado, a rede terrorista se unificou em apenas um grupo em toda a Península Arábica, anunciou em 20 de janeiro o líder Nasir al-Wuhayshi em sites islâmicos. O novo grupo consistirá na união da Al-Qaeda na Arábia Saudita com a organização que era liderada por Wuhayshi no Iêmen. No entanto, segundo relatório da agência de risco Stratfor, ao qual o Estado teve acesso, a reorganização da Al-Qaeda na região não foi uma unificação de iguais. Há quase três anos nenhum atentado é cometido no território saudita, enquanto o Iêmen, cujo regime é mais fraco, é alvo constante de ataques. A própria hierarquia da nova organização indica que os membros iemenitas estão acima: Wuhayshi é o líder, enquanto o saudita e ex-prisioneiro de Guantánamo Abu Sayyaf al Shihri será o número dois.A mudança deve-se em parte ao sucesso do plano saudita de combate ao terrorismo e à fragilidade iemenita. Depois de uma série de atentados em 2003, a monarquia saudita lançou uma estratégia paralela para combater as raízes ideológicas dos extremistas dentro do reino. O plano saudita envolve debates religiosos e acompanhamento psicológico dos militantes - dos 1.400 envolvidos no programa, apenas 35 teriam voltado ao jihadismo.

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

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