Iemenitas irão às ruas, apesar de proibição

SANAA

, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2011 | 00h00

O Parlamento do Iêmen aprovou ontem leis de emergência que suspendem a Constituição, autorizam a censura à imprensa e impedem protestos nas ruas. Além disso, nos próximos 30 dias, as forças de segurança iemenitas terão carta-branca para prender suspeitos sem o envolvimento da Justiça do país.

Em reação, a oposição convocou uma marcha ao palácio presidencial amanhã. Ontem, cerca de 3 mil manifestantes permaneciam na "Praça da Mudança", como foi batizado o epicentro dos protestos na capital, Sanaa.

Depois de quase dois meses de manifestações por sua renúncia imediata, o presidente Ali Abdullah Saleh está cada vez mais isolado. Na sexta-feira, 52 pessoas foram mortas durante um protesto em Sanaa. Dois dias depois, um dos principais comandantes do Exército, o general Ali Mohsen al-Ahmar, retirou seu apoio ao presidente - ato que foi seguido por militares, diplomatas, líderes tribais e religiosos, políticos, governadores e jornalistas.

Ontem, em carta ao general desertor e à oposição, Saleh afirmou que pretende realizar um referendo sobre a necessidade de uma nova Constituição e eleições parlamentares e presidenciais até o fim do ano. "Haveria um referendo para uma nova Constituição e, depois, eleições parlamentares. Os membros eleitos do Parlamento formariam um governo e as eleições para presidente seriam realizados imediatamente, antes do final do ano", disse o documento entregue à oposição e ao comandante do Exército Ali Mohsen.

A aprovação do estado de emergência solicitado pelo presidente era quase uma certeza, já que seu partido controla a maioria no Parlamento. Mas vários deputados pró-regime boicotaram a sessão, juntamente com parlamentares independentes e opositores.

As autoridades do Iêmen fecharam ontem a sede da TV Al-Jazira e retiraram a autorização de trabalho de seus correspondentes. Alegaram "falta de credibilidade e imparcialidade" na cobertura dos protestos. Na segunda-feira, a emissora afirmou que teve seus equipamentos de transmissão roubados. Dois jornalistas da rede já foram expulsos do país. / AP, REUTERS e EFE

PARA LEMBRAR

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, tornou-se aliado dos Estados Unidos, nos últimos anos, ao começar a ajudar a Casa Branca em sua luta contra o terrorismo. O presidente, que está há 32 anos no poder, enfrenta um movimento separatista no sul do Iêmen, um braço da rede terrorista Al-Qaeda em seu território, e um conflito periódico com tribos xiitas no norte. Nos últimos dois anos, a célula da Al-Qaeda no Iêmen realizou tentativas de ataques na vizinha Arábia Saudita e nos EUA.

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