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Igreja Anglicana e Banco da Inglaterra pedem desculpas por papel na escravidão

Debates sobre racismo ganharam força no mundo inteiro após a morte de George Floyd, nos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 01h21

LONDRES - Duas antigas instituições britânicas, a Igreja Anglicana e o Banco da Inglaterra, pediram desculpas nesta quinta-feira, 18, pelo papel histórico de alguns de seus membros na escravidão, informou o jornal The Telegraph

A mensagem veio em resposta ao trabalho do University College London (UCL) que indicou que os responsáveis por essas instituições se beneficiaram do tráfico de seres humanos. 

Segundo os pesquisadores, foi o caso de quase cem eclesiásticos e, no Banco da Inglaterra, de seis governadores e quatro administradores. 

"Embora reconheçamos o papel que o clero e os membros ativos da Igreja Anglicana desempenharam na promoção da abolição da escravidão, temos vergonha de que outros membros da Igreja tenham participado ativamente e beneficiado da escravidão", escreveu um porta-voz da Igreja citado pelo jornal de Londres. 

"Como instituição, o Banco nunca esteve diretamente envolvido no comércio de escravos, mas está ciente de certos interesses indesculpáveis, tomados por ex-governadores e administradores, e pede desculpas", relatou um porta-voz do Banco da Inglaterra. 

O banco central indicou que retiraria os retratos dos ex-líderes que participaram dessa atividade. 

As manifestações antirracistas que se seguiram à morte de George Floyd em Minneapolis, nos Estados Unidos, provocaram intenso debate no Reino Unido sobre a história do poder colonial. 

Na quarta-feira, o Oriel College (Universidade de Oxford) se pronunciou a favor da remoção de uma estátua do político Cecil Rhodes (1853-1902), o arquiteto da colonização na África. 

Segundo a imprensa inglesa, pesquisadores da University College London examinam as finanças de 47.000 pessoas envolvidas no tráfico de escravos, que foram compensadas em até 20 milhões de libras no total (o equivalente a 2 bilhões de libras hoje) após a abolição da escravidão pelo Reino Unido em 1833./AFP

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