Igreja bloqueia Lei do Divórcio nas Filipinas

A Igreja Católica barrou mais uma iniciativa de legalização do divórcio nas Filipinas. O projeto de lei, apresentado ao Congresso em novembro de 2005 pelo grupo feminista "Gabriela", foi classificado como um "atentado à família e ao seu papel como unidade básica da sociedade filipina".A parlamentar Liza Maza, do partido de esquerda Bayan Muna, atribui a dificuldade em aprovar leis de divórcio à pressão da religião. "Se hoje não existe divórcio nas Filipinas, é por causa da influência da Igreja", disse.Maza afirma que os legisladores filipinos temem desafiar as ordens da Igreja e são cúmplices do veto. "Os legisladores sucumbem à pressão porque têm a falsa percepção de que, caso defendam a lei de divórcio, o povo não votará mais neles". A parlamentar destaca que a atitude desrespeita o princípio de separação entre Igreja e Estado.O partido Baya Muna é minoria no Congresso. Das 234 cadeiras, apenas cinco são ocupadas por deputados do partido. A maior parte dos congressistas apóia a presidente Gloria Macapagal Arroyo, católica fervorosa e contrária ao divórcio e às políticas de contracepção artificial.A Igreja teria enviado cartas dissuasivas a parlamentares em princípio favoráveis à mudança na lei. Assim, o projeto foi barrado antes de ser encaminhado ao Senado. Nas Filipinas, as alternativas ao divórcio são a separação e a anulação, ambas autorizadas pela Igreja. "É uma opção muito cara (entre US$ 1 mil e US$ 4 mil). O problema da separação é proibir os ex-cônjuges de voltarem a se casar", diz Maza.Um dos principais opositores à legalização do divórcio, o arcebispo de Pangasinan Oscar Cruz, reconheceu o poder da religião sobre a questão. "É verdadeiramente difícil ir contra a Igreja". Cruz lembrou da penúltima tentativa de aprovação do divórcio nas Filipinas, apresentada pelo congressista Manuel Ortega, em 2001."A Igreja tem mais de 2 mil anos e segue de pé. Os que defenderam o divórcio no passado já não estão".A sociedade filipina é conservadora, mas tolera que os homens tenham amantes sem precisar que alterar a certidão de casamento. O caso mais famoso é o de Joseph Estrada, presidente deposto em 2001 por uma revolta popular apoiada pela Igreja. Estrada teve nove filhos, de quatro relações extra-conjugais.

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