REUTERS/Andres Martinez
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Igreja Católica rompe com Maduro e denuncia ‘ditadura chavista’

Importante mediadora no conflito entre o governo e a oposição na Venezuela, Conferência Episcopal diz ter apoio do papa em ruptura

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 13h39
Atualizado 07 Julho 2017 | 17h15

CARACAS - Tida como um importante mediador político na Venezuela, Igreja Católica caracterizou nesta sexta-feira, 7,  o governo do presidente Nicolás Maduro como uma ditadura e declarou-se contrária à eleição, em 30 de julho, de uma Assembleia Nacional Constituinte. A Conferência Episcopal Venezuela (CEV) também informou que pretende apoiar, com apoio logístico, a consulta informal organizada pela oposição sobre a nova Carta. 

“Essa Assembleia prevista para o final de julho será imposta à força e o resultado serão a constitucionalização de uma ditadura militar, socialista, marxista e comunista”, disse o monsenhor Diego Padrón, presidente da CEV. “Já não há conflito ideológico entre direitas e esquerdas, e sim uma luta entre um governo convertido em ditadura e todo um povo que clama por liberdade.”

O prelado advertiu que a Constituinte permitirá a permanência ilimitada do atual governo no poder e a anulação dos poderes públicos, como a Assembleia Nacional, de ampla maioria opositora.

A CEV autorizou, além disso, que locais pertencentes à Igreja, com exceção dos templos, sejam usados para um referendo simbólico da oposição no dia 16 de julho para rejeitar a Constituinte. Ainda de acordo com Padrón, a visão da CEV está em “plena comunhão” com a do papa Francisco.

 

Primeiro pontífice latino-americano da história, Francisco tem acompanhado a crise na Venezuela, que começou na mesma época de seu pontificado. Maduro e outros líderes chavistas tratam o papa argentino com reverência, em virtude de sua origem sul-americana e sua pregação em prol dos pobres. Estima-se que 78% dos venezuelanos sejam católicos. 

O chavismo apresenta a Constituinte como a solução para a crise política e econômica do pais. À medida que ela se aproxima, no entanto, cresce a oposição na sociedade venezuelana à proposta. 

Dentro do chavismo há dissidências, a maior dela capitaneada pela procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, que rompeu com o governo em abril. No Exército, ao menos 123 militares já foram presos desde o começo do protesto por se opor à repressão. Prefeitos e líderes chavistas de baixo escalão também tem sido alvo de retaliações por romperem com a cúpula. 

A coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) disse que o referendo informal perguntará se a população concorda com a Constituinte e se quer a realização imediata de eleições diretas. Segundo a aliança, além da Igreja, universidades em todo o país ajudarão na votação, proscrita pelo governo. 

Pressionado, com uma impopularidade de 80% e com sete em cada dez venezuelanos contrários à Carta, segundo o instituto Datanálisis, Maduro disse na quinta-feira que pretende obrigar os funcionários públicos - 2,8 milhões num país de 30 milhões de habitantes - a votar na escolha da Constituinte. Muitos dizem que pretendem anular o voto. /AFP

 

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