Vladimir RODAS / AFP
Vladimir RODAS / AFP

Igreja chilena deve pagar indenização às vítimas de abuso de ex-padre

Vítimas esperam que decisão marque o 'fim da impunidade em matéria de abuso sexual clerical'

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 16h17

A Justiça do Chile ordenou que a Igreja Católica do país pague uma indenização de 450 milhões de pesos (cerca de R$ 2,5 milhões) às vítimas de abuso sexual do ex-padre Fernando Karadima.

O Tribunal de Apelações de Santiago anulou uma decisão anterior e decidiu se posicionar a favor de Juan Carlos Cruz, José Andrés Murillo e James Hamilton, que processaram a igreja por sua negligência e por ter encoberto alegações de abuso sexual contra Karadima, expulso da vida sacerdotal pelo Papa Francisco em setembro passado.

"Estamos muito felizes, tem sido um longo caminho. Esta decisão deve marcar o fim da impunidade em matéria de abuso sexual clerical", disseram os denunciantes por meio de comunicado.

O tribunal chileno emitiu sua decisão na quinta-feira, mas o texto não foi divulgado. As vítimas precisaram esperar alguns dias até que todos os detalhes da decisão sejam conhecidos. 

A Igreja, que ainda pode apresentar apelação junto à Suprema Corte, não se manifestou sobre a decisão.

"O Estado chileno está alcançando a justiça porque, independentemente do poder de uma organização, todos devem se responsabilizar por seus atos, especialmente se são responsáveis por cuidar de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis", continuaram as vítimas.

Até agora, o papa aceitou a renuncia de sete bispos chilenos, expulsou do sacerdócio dois outros bispos eméritos e os sacerdotes Karadima e Cristian Precht, reconhecido defensor dos direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Em paralelo, o sistema de justiça chileno mantém 119 casos abertos para casos de abusos cometidos ou encobertos por bispos e padres.

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