Igreja condena apoio de Obama à contracepção

Após encontro do presidente com o papa Francisco, Vaticano emite comunicado mostrando preocupação com 'exercício dos direitos à vida'

AP e The New York Times/O Estado de S.Paulo

28 de março de 2014 | 02h07

CIDADE DO VATICANO - O presidente Barack Obama e o papa Francisco encontraram-se pela primeira vez ontem, no Vaticano. Ao relatar a audiência com o pontífice, o americano ressaltou as posições em comum que ambos sustentam a respeito de pobreza e desigualdade. Funcionários da Santa Sé enfatizavam preocupações com a reforma no sistema de saúde dos EUA promovida por Obama, que cobre métodos contraceptivos.

O presidente aparentava estar à vontade durante o encontro com o papa e até fez piadas nos momentos em que a reunião foi aberta para poucos repórteres. Um breve comunicado do Vaticano, porém, mostrou que a conversa teve um lado mais sério. De acordo com a Santa Sé, Obama ouviu as preocupações da Igreja sobre "o exercício dos direitos à liberdade religiosa, à vida e à objeção de consciência" nos EUA.

A declaração do Vaticano faz referência ao Obamacare, que determina aos empregadores a obrigação de cobrir os custos de métodos contraceptivos nos planos de saúde de seus trabalhadores. Católicos e fiéis de outras religiões consideram a medida - contra a qual mais de cem processos já foram ajuizados - uma afronta contra suas crenças, por dar apoio à contracepção e à esterilização.

Segundo Obama, porém, essa discussão ocorreu com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, não com o papa Francisco. "Não falamos muito da divisão social nas minhas conversas com Sua Santidade. Na verdade, isso nem foi debatido", afirmou o presidente após o encontro com o pontífice, durante uma entrevista que concedeu juntamente com o premiê italiano, Matteo Renzi, em Roma.

Obama reconheceu que tem diferenças de opinião com o papa em vários temas, mas afirmou que o trabalho do pontífice "é um pouco mais elevado".

Luta comum. O presidente americano disse ter ficado "incrivelmente emocionado" com seu encontro de 52 minutos com Francisco. "Fiquei grato por ter a oportunidade de falar com ele sobre as responsabilidades que todos nós compartilhamos de cuidar dos menos favorecidos, dos pobres, dos excluídos", afirmou. "É uma grande honra, sou um grande admirador", disse o presidente ao se despedir do papa.

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