Igreja critica política imigratória de Sarkozy

As primeiras expulsões de ciganos em situação irregular na França e a política de "segurança" e de imigração do presidente Nicolas Sarkozy irritaram a Igreja Católica, pelo caráter xenofóbico das medidas adotadas pelo Palácio do Eliseu. Autoridades religiosas, como o papa Bento XVI e o arcebispo de Paris, André XXIII, condenaram a política de discriminação e a extradição de ciganos e romenos do país, iniciada na semana passada.

Andrei Netto CORRESPONDENTE/ PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

A polêmica, que envolvia a opinião pública francesa, cresceu no final de semana, quando o papa, em francês, criticou em meias palavras a política de Sarkozy. "Os textos litúrgicos nos dizem que todos os homens são chamados à salvação. E fazem também um convite a saber acolher as legítimas diversidades humanas", afirmou Bento XVI. O argumento havia sido usado pelo arcebispo de Paris, para quem as medidas anti-imigração "não estão na mensagem do Evangelho, nem na mensagem de uma sociedade civilizada".

As críticas foram a senha para que a base da Igreja Católica aumentasse o tom de desafio ao governo Sarkozy. Ontem, o monsenhor Christophe Dufour, arcebispo de Aix-en-Provence, classificou as medidas de "indignas".

Dentre os religiosos, um tornou-se símbolo da reação. Padre Arthur, de Lille, ligado ao auxílio social às comunidades ciganas, decidiu devolver a medalha da Ordem Nacional do Mérito que recebera do Eliseu havia quatro anos. Mais: desejou um ataque cardíaco a Sarkozy para que aprenda a ser mais solidário.

Em resposta às críticas, o primeiro-ministro François Fillon convocou uma reunião com os ministros do Interior, Brice Hortefeux, e da Imigração, Eric Besson. Ao término do encontro, um breve comunicado deixou entrever uma resposta à oposição de esquerda, mas também o recuo do governo e uma advertência aos correligionários de direita. "A luta contra a imigração irregular não deve ser instrumentalizada nem de uma parte, nem de outra", disse a nota.

A tímida reorientação, entretanto, não impediu críticas de governistas. O ex-primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin pediu o fim da deriva à direita, enquanto a ex-ministra Christine Boutin anunciou sua saída do partido.

Popularidade. As medidas de segurança, que deveriam reforçar a popularidade de Sarkozy, não melhoraram sua imagem. Pesquisas indicam que a popularidade do chefe de Estado cresceu no máximo dois pontos porcentuais - alguns levantamentos indicam queda da aprovação. Além disso, um levantamento indicou que 52% dos franceses querem a vitória da esquerda nas próximas eleições, marcadas para 2012.

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