Igreja da Austrália afirma que padres abusaram de mais de 600 crianças

Abusos teriam sido cometidos desde a década de 30; ativistas dizem que número real de vítimas é bem maior

BBC Brasil, BBC

22 de setembro de 2012 | 11h39

VICTORIA, AUSTRÁLIA - A Igreja Católica do Estado australiano de Victoria confirmou que mais de 600 crianças foram abusadas por seus padres desde a década de 30. O arcebispo de Melbourne, Denis Hart, descreveu as cifras como ''horrendas e vergonhosas''. 

O número de vítimas de abuso foi divulgado após determinação feita por um inquérito parlamentar sobre os casos de abusos praticados por membros do clero católico no país. Mas ativistas afirmam que o número verdadeiro de vítimas de abuso na Austrália pode chegar a 10 mil crianças.

Diálogo aberto

A Igreja afirma que os 620 casos que divulgou começaram a ser registrados há 80 anos e que a maior parte deles teria ocorrido entre as décadas de 1960 e 1980. O clero católico australiano disse ainda estar investigando outros 45 casos.

Em um comunicado, o arcebispo Hart afirmou que é importante estar aberto para ''falar sobre os horríveis abusos que aconteceram em Victoria e em outras partes''. ''Vemos neste inquérito uma forma de ajudar a reparar o mal contra os que sofreram abusos, examinar a resposta da Igreja de forma mais ampla, especialmente nos últimos 16 anos, e oferecer recomendações para aprimorar os cuidados dados às vítimas e melhorar as medidas preventivas que estão sendo implementadas'', afirmou o relgioso no documento.

O abuso de crianças por padres católicos têm sido um grande tema de debate na Austrália nos últimos anos. Durante uma vista à Austrália em julho de 2008, o papa Bento 16 se encontrou com algumas das vítimas e fez um pedido público de perdão pelos abusos.

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