Igreja dos EUA pede liberação de americanos presos no Haiti

Eles são acusados de tentar levar 33 crianças haitianas para a República Dominicana sem documentação

AE-AP, Agencia Estado

03 de fevereiro de 2010 | 17h37

A Igreja Batista Central Valley, em Idaho (EUA), pediu hoje a libertação imediata dos dez missionários norte-americanos presos no Haiti semana passada, após terem tentado levar 33 crianças do país para a República Dominicana sem documentação.

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O governo norte-americano poderá reclamar a jurisdição para julgá-los nos Estados Unidos, mas um advogado especialista em sequestros internacionais duvida que isso aconteça, uma vez que os promotores deverão levar em conta fatores atenuantes.

"Eles certamente cometeram um erro enorme ao irem de maneira unilateral ao Haiti e terem tomado as crianças sem conhecimento e permissão do governo haitiano. É um crime no Haiti e em qualquer lugar no mundo tomar ou sequestrar crianças, mesmo que as intenções fossem humanitárias ou boas em princípio", disse Christopher Schmidt, um advogado no escritório Bryan Cave LLP em Saint Louis (EUA).

Hoje, parte do grupo foi novamente interrogado. O juiz haitiano falou com os homens do grupo após ter interrogado, ontem, as cinco mulheres, no quartel da polícia judiciária, onde todos estão detidos. Nenhum advogado estava presente, o que foi contestado pela igreja em Idaho, como uma medida que viola a Constituição do Haiti.

A ministra Marie-Laurence Jocelyn Lassegue disse que as provas do juiz serão apresentadas a um procurador haitiano que decidirá se faz uma acusação criminal formal contra os dez americanos.

Nenhum órfão

No orfanato da SOS Children, onde as 33 crianças estão sob proteção, a diretora regional Patricia Vargas disse que nenhuma delas que tenha idade suficiente para se expressar declarou ser órfã. "Até agora nenhuma delas disse que é órfã". Vargas disse que muitas crianças têm entre 3 e 6 anos de idade e não são capazes de fornecer números de telefone, endereços e informações sobre suas origens.

A diretora da agência de bem-estar social do Haiti, Jeanne Bernard Pierre, disse que, aparentemente, um pastor instruído pelos norte-americanos foi batendo de porta em porta e perguntando aos moradores se eles queriam doar suas crianças.

"Uma criança disse para mim: ''Quando eles bateram na nossa porta pedindo por crianças, minha mãe decidiu me doar porque nós somos em seis crianças. Ao me doar, ela teria apenas cinco filhos para cuidar''", disse Pierre.

O primeiro-ministro do Haiti, Max Bellerive, sugeriu que os americanos poderão ser julgados nos Estados unidos, porque o arrasado sistema judiciário do Haiti pode não ser capaz da tarefa. "Agora já está claro que eles tentavam cruzar a fronteira sem documentos. Também ficou claro que algumas das crianças têm pais vivos e também está bem claro que eles sabiam estar fazendo algo errado" disse Bellerive.

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