Igreja italiana qualifica de problema moral escândalos de Berlusconi

Sem citar diretamente premiê, cardeal diz sociedade está 'consternada' com comportamento de dirigentes

Efe

24 de janeiro de 2011 | 17h01

CIDADE DO VATICANO - O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), o cardeal Angelo Bagnasco, disse nesta segunda-feira,24, que a sociedade italiana assiste "afligida" o escândalo sexual em que está envolvido o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e que se respira um evidente "mal-estar moral".

 

Bagnasco fez estas manifestações em Ancona, diante do Conselho Permanente da CEI, onde tratou - como anunciou no último dia 21 - do caso "Ruby", a menor marroquina que supostamente manteve relações sexuais com Berlusconi e que gerou um escândalo político na Itália.

 

Sem nomear diretamente Berlusconi, o religioso disse que nos últimos dias estão se multiplicando notícias sobre "comportamentos contrários ao decoro público e são exibidas provas - verdadeiras ou falsas - de estilos não compatíveis com a sobriedade e a correção".

 

"A coletividade olha consternada os atos da vida pública e respira um evidente mal-estar moral. A vida de uma democracia se compõe de delicados e necessários equilíbrios", afirmou o cardeal.

 

O cardeal reiterou que "quem aceita assumir um mandato político deve estar consciente da medida e da sobriedade, da disciplina e da honra que isso comporta".

 

Bagnasco assegurou que na atual situação ninguém sairá ganhando, "ninguém terá motivos para se alegrar, nem para se considerar vencedor".

 

Alem disso, perguntou o que será do futuro da Itália diante desta "contaminação" e disse que chegou o momento de "parar" para esclarecer tudo de maneira cuidadosa e tranquila.

 

O cardeal advogou por uma nova ética na vida, na família, na solidariedade e no trabalho.

 

Bagnasco fez as declarações depois que a Promotoria de Milão abriu uma investigação contra a Berlusconi por um suposto delito de incitação à prostituição.

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