Igreja pede perdão a aborígenes por abusos

O papa João Paulo II lançou, nesta quinta-feira, uma enérgica defesa dos aborígenes e seus direitos, reconheceu erros contra eles cometidos por missionários e pediu perdão por abusos sexuais por parte de sacerdotes em um documento que reúne as conclusões do Sínodo de 1998 consagrado à Oceania e divulgado pela Internet. Entre os desafios indicados nesta exortação apostólica enviada por e-mail a todas as dioceses do distante continente, a mensagem coloca que o anúncio do Evangelho na Oceania desta vez respeita as culturas tradicionais e a defesa dos aborígenes. O documento - o primeiro a ser enviado por correio eletrônico - foi redigido pelo próprio João Paulo II, seguindo as sugestões que lhe foram dirigidas durante o Sínodo dos bispos, que teve como tema a Oceania, celebrado em 1998 no Vaticano. Nas primeiras das 120 páginas do documento, o pontífice diz que quando os missionários "levaram pela primeira vez o Evangelho aos aborígenes e aos maoris, encontraram povos que já possuíam o sentido do sagrado". É uma consideração de fundo da qual João Paulo faz derivar a exigência, "o dever" da Igreja de estar "do lado" dos primeiros habitantes do continente. Aqueles primeiros missionários, explica o papa, "levaram a verdade do Evangelho", e o Santo Padre cita muitos que deram a vida por esse trabalho, mas reconhece que "às vezes, alguns deles tentaram impor elementos que eram culturalmente alheios àqueles povos", enquanto a Igreja deve "respeitar todas as culturas e não pedir nunca às pessoas que renunciem a elas". Os imigrantes "coloniais" depois converteram "os indígenas em minorias em sua própria terra", acrescentou João Paulo, e eles hoje vivem como imigrantes, enfrentando a globalização, com seus efeitos positivos e negativos. Entre esses efeitos, o papa indicou o respeito aos direitos humanos, a democracia, a rejeição ao terrorismo, ao lado da "pobreza estrutural, como condição que não se pode mudar", e a "gradual diminuição do sentido religioso natural". O pontífice assinala ainda que "os abusos sexuais por parte de sacerdotes e religiosos" verificados "em algumas partes da Oceania" causaram "grandes sofrimentos e danos espirituais às vítimas".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.