Pedro Nunes/REUTERS
Pedro Nunes/REUTERS

Igreja portuguesa cria comissão para combater violência sexual contra crianças e adultos

Grupo fará 'estudo histórico' sobre os casos de abuso no país e terá 'independência total', disse presidente da Conferência Episcopal

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2021 | 21h04

LISBOA - A Igreja Católica portuguesa vai criar uma comissão nacional para estudar a questão da violência sexual “contra menores e adultos vulneráveis” dentro da instituição e acompanhar as vítimas, anunciou nesta quinta-feira, 11, a Conferência Episcopal.

“Não temos medo dessas questões", disse Dom José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal, em entrevista coletiva.

A comissão fará um "estudo histórico" sobre os casos de abusos em Portugal e terá "independência total", segundo Ornelas. O grupo não será controlado pela Conferência Episcopal e ainda não foi definido quem o integrará.

Ornelas garantiu que os bispos querem chegar "ao fundo da perguntas”e que a Igreja está “pronta para tudo”. “Não queremos de forma alguma condicionar o trabalho desta comissão”, declarou.

A assembleia plenária também concordou em dar um "voto de confiança na generalidade do clero português ", mas prometeu não ignorar possíveis encobrimentos.

"Se existiram atitudes de encobrimento no passado, vamos lidar com elas também. Isso faz parte da honestidade com que devemos enfrentar isso", disse Ornelas.

Os bispos portugueses, que afirmaram em comunicado que levam "a sério" a questão do "apoio e acolhimento das vítimas", aprovaram a ideia após um encontro em Fátima, local de peregrinação para católicos de todo o mundo, localizado no centro do país. 

Há um mês, o CEP criou comissões com membros leigos de áreas como Direito, Psiquiatria e Psicologia para investigar e prevenir abusos dentro da Igreja em cada uma das 21 dioceses do país.

Há poucos dias, antes do início do plenária, quase 250 católicos portugueses pediram ao CEP uma investigação independente sobre o abuso sexual na Igreja, afirmando considerar as medidas adotadas até então "totalmente insuficientes". Os signatários da carta exigiram uma "investigação nacional rigorosa, abrangente e verdadeiramente independente com um período de 50 anos".

Antes da assembleia, havia divergências entre os bispos portugueses sobre a necessidade de investigar retroativamente os casos de abusos, como tem sido feito em outros países, como a França ou a Alemanha.

Em Portugal existem poucas denúncias, mas “isto não é argumento” para não agirmos, afirmaram os signatários da petição.

Se a igreja não lançar esta "investigação profunda e independente", isso pode ser percebido como um "desejo de esconder algo", acrescentaram. /AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.