Igreja reafirma unidade contra o terrorismo

Não existe a "divisão" que alguns quiseram ver nas posições do Papa João Paulo II e da Igreja em relação aos ataques contra os Estados Unidos e a resposta a ser dada a eles, afirmou hoje Piero Chinellato, no jornal católico italiano Avvenire. No artigo, intitulado "Neutralizar o Terrorismo, a divisão inexistente", o articulista católico argumenta que nas palavras do pontífice e de outros eclesiásticos não se deve ler "correções ou desmentidos". Outro texto, assinado por teólogos, reafirma a doutrina católica sobre a guerra: ?Tolera-se o recurso à força somente em caso de legítima defesa?.Em seu artigo, Piero Chinellato diz que os posicionamentos da Igreja mostram "a convergência comum em direção a uma paz que pode exigir, como preço, que os agressores sejam impossibilitados de causar novos danos", e que este pode ser "um objetivo que ´justifique´ um uso proporcional da força, sem que isto justifique ceder ao ódio e à vingança", acrescentou, no jornal da Conferência Episcopal Italiana (CEI). "Que, depois, o mundo ocidental seja incumbido de exercer seu papel com a magnanimidade que a história ensina, é um elemento que João Paulo II fez bem em lembrar e de que ninguém deve descuidar", disse. Para completar suas considerações, Chinellato lembrou as palavras pronunciadas pelo Papa na Armênia: "A paz pode ser construída somente sobre as bases do respeito recíproco, da justiça nas relações entre as várias comunidades e na magnanimidade dos fortes".O jornal dos bispos italianos também publicou uma reflexão assinada por cerca de 30 teólogos acerca das implicações morais da crise internacional. Os signatários, sacerdotes e leigos, reafirmam a doutrina do Concílio Vaticano sobre a guerra: "Tolera-se o recurso à força somente em caso de legítima defesa, mas isto nunca é aplicável com armas atômicas, bacteriológicas e químicas, inclusive com as armas convencionais que provocam destituição indiscriminada".

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