REUTERS/Oswaldo Rivas
REUTERS/Oswaldo Rivas

Igreja rejeita mediar diálogo na Nicarágua após mais 15 mortes em confrontos

Subiu para 108 o número de mortos no país desde o início dos protestos contra o governo de Daniel Ortega

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 20h16

MANÁGUA - A Igreja Católica da Nicarágua rejeitou nesta quinta-feira mediar o diálogo entre o governo e a oposição para acabar com as protestos no país, depois de um dia de confrontos que deixaram 15 mortos e elevaram para 108 o número de mortos desde 18 de abril. 

A Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) anunciou que não retomará o diálogo em busca de uma saída para crise no país enquanto "o povo continuar sendo reprimido e assassinado".

Segundo a polícia de Nicarágua houve 15 mortos por armas de fogo e 199 feridos nos confrontos entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira em Manágua, Masaya (sudeste da capital), Estelí (norte) e Chinandega (noroeste).

Na quarta-feira, houve  pânico quando um grande protesto opositor chegou à Universidade Centro-americana (UCA) e os manifestantes precisaram buscar refúgio em estabelecimentos comerciais e na Catedral por causa dos disparos feitos pelas forças de seguranças e grupos simpatizantes ao governo de Daniel Ortega, que pouco antes havia assegurado que não deixará o poder, apesar da pressão.

Durante os confrontos - os mais violentos da capital desde o começo dos protestos - foram queimadas instalações da emissora do governo Radio Ya e uma cooperativa de crédito rural. A fachada do estádio nacional de beisebol foi destruída.

Também foram atacados o canal opositor 100% Noticias e os estúdios de transmissão da também opositora radio Darío, em León, segundo seus proprietários.

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Em comunicado, o governo afirmou que esses atos obedecem a grupos de oposição com "agendas políticas específicas" que buscam "aterrorizar" a população, no que chamou de "conspiração".

"Não existem forças de choque nem grupos paramilitares simpáticos ao governo, motivo pelo qual não podemos aceitar que nos acusem de acontecimentos dolorosos e trágicos que não provocamos, que jamais provocaremos", segundo o texto do governo.

O secretário geral da OEA, Luis Almagro, pediu nesta quinta-feira ao governo Ortega que pare com a repressão a seus opositores.

"Condenamos os assassinatos cometidos pelas forças repressivas e pelos grupos armados e nos solidarizamos com os parentes das vítimas. Pedimos ao Estado que detenha a violência desses fatores repressivos", disse Almagro em um vídeo publicado no site da Organização dos Estados Americanos (OEA). "Só a justiça, a partir da identificação dos mais altos responsáveis desses fatos, deterá a violência", enfatizou.

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A relatora para Nicarágua da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Antonia Urrejola, pronunciou-se  por meio do Twitter sobre os incidentes e reiterou ao Estado que ele tem o  "dever de garantir a vida e integridade de todos os manifestantes".

Os Estados Unidos também condenaram a violência do governo e advirtiram que os violadores de direitos humanos deverão prestar contas internacionalmente.

"A comunidade internacional e os cidadãos da Nicaragua têm pedido reiteradamente ao governo nicaraguense que ordene à sua polícia e a seus homens que cessem a violência, respeitem os direitos humanos e criem as condições para um futuro pacífico. Os violadores dos direitos humanos serão responsabilizados pela comunidade internacional em fóruns internacionais", disse a portavoz do Departamento de Estado, Heather Nauert. / AFP

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