Igreja tenta impedir legalização do divórcio no Chile

A televisão mostra um aviso ameaçador: uma lei de divórcio só aumentará o consumo de drogas e álcool entre as crianças de pais separados. Abstenções escolares e violência doméstica crescerão e a renda familiar vai diminuir. "O Chile quer uma família unida. Não vamos dividi-la", clama o locutor do comercial de 30 segundos, posto no ar gratuitamente por três estações de TV.Esse é o último esforço da Igreja Católica em sua luta contra a possível aprovação, pela primeira vez na história do Chile, de uma lei de divórcio. O Chile é conhecido como o único país do ocidente que proíbe a separação, e pelo menos 12 tentativas, nos últimos 90 anos, de legalizá-la falharam. Mas um projeto pode se tornar lei já em janeiro no país.Atualmente, os casais que querem se separar recorrem a subterfúgios, como declaração de que o casamento nunca existiu legalmente, para assegurar a anulação. Um advogado pode conseguir desfazer um casamento nessas condições a um custo médio de US$ 590.A Igreja Católica desmente acusações de pressionar parlamentares. "A Igreja está somente exercitando seu direito de tornar pública sua opinião", disse o reverendo Jaime Fernandez, responsável pela campanha na televisão contra o divórcio.

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