Igrejas católica e anglicana se declaram contra a guerra

O arcebispo anglicano Rowan William e o primaz católico Cormac Murphy O?Connor, líderes das duas maiores comunidades cristãs da Grã-Bretanha, divulgaram declaração conjunta contra um ataque militar ao Iraque. Ao mesmo tempo, a Conferência Episcopal espanhola divulgou em Madri uma carta pastoral em que se pronuncia contra a guerra, em alinhamento com a posição defendida pelo papa João Paulo II.Na Grã-Bretanha, os bispos das duas Igrejas cristãs atacaram a legitimidade moral de uma guerra que poderia ter "imprevisíveis conseqüências humanitárias e políticas" em uma declaração que está em aberta divergência com a posição do premier britânico Tony Blair - que, há uma semana, vem sustentando que seria desumano permitir que Saddam Hussein permaneça no poder, devido aos sofrimentos que causou e causará a seu povo.O arcebispo de Cantuária e o cardeal O?Connor pedem que se permita aos inspetores que prossigam em seu trabalho e apelam ao governo iraquiano que demonstre enfaticamente estar seguindo as ordens da ONU. "Reconhecemos que a alternativa moral à ação militar não pode ser a passividade, a indiferença. Por isso é vital - lê-se na declaração - que as partes envolvidas nesta crise se comprometam através das Nações Unidas, de forma total e urgente, com o processo que inclui as inspeções de armas, o que poderia e deveria (tornar) desnecessários o trauma e a tragédia da guerra". Na Espanha, o secretário da Conferência Episcopal, Juan José Asenjo, leu a carta dizendo que "a paz é possível, as guerras são evitáveis. Estas têm sua raiz em pensamentos e desejos equivocados dos homens que as incitam". "É preciso esgotar todos os meios pacíficos, evitar a guerra e respeitar o marco legal da ONU. O direito internacional e a solidariedade internacional são os meios dignos do homem para solucionar suas contendas", destacou o comunicado. "Segundo a Carta da ONU - prossegue o documento -, a guerra não pode ser adotada ainda que se trate de assegurar o bem comum, a não ser em casos extremos". Asenjo concluiu: "Ainda não foram esgotados os meios em favor da paz. Não temos a segurança de que estejam assegurados os direitos das crianças, mulheres e enfermos. É preciso continuar apoiando as gestões do Santo Padre e dos organismos internacionais para evitá-la".

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