Igrejas disputam o crédito pelo ''milagre'' da mina San José

Enquanto as equipes de resgate avançam na direção dos mineiros soterrados, igrejas rivais disputam a autoria do milagre em andamento. Sacerdotes evangélicos, adventistas e católicos tentam imprimir a própria fé ao surto de fervor religioso motivado pelo drama dos mineiros. As três confissões reivindicaram o crédito pelo que dizem ser a intervenção divina na sobrevivência - e resgate iminente - dos 33 homens.

Cenário: Rory Caroll / The Guardian, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

"Deus conversou comigo claramente e guiou minha mão a cada passo do resgate", disse Carlos Parra Díaz, pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. "Ele quis que os mineiros fossem salvos e eu sou Seu instrumento." A alguns metros, Caspar Quintana, bispo católico de Copiapó, preparava um altar para celebrar uma missa para parentes de mineiros e uma falange de câmeras de TV. "Deus ouviu nossas preces", disse ele. "Recebi mensagens de encorajamento vindas de todo o mundo. Vamos agradecer." Um pouco mais acima, um pastor evangélico, Javier Soto, vagava de família em família trazendo um violão e cânticos religiosos. "Ele ouve a nossa música", disse, gesticulando na direção do céu.

Vestido de preto, Díaz, de 42 anos e comportamento intenso, disse ter sido o primeiro sacerdote a chegar na mina e afirmou que não foi coincidência o fato de a sonda de exploração ter chegado aos homens aprisionados - 17 dias após o colapso da mina, em 5 de agosto - enquanto ele rezava na superfície.

Díaz conseguiu Bíblias em miniatura, de 7cm de largura, para que coubessem nos tubos que traziam suprimentos aos homens. O pastor disse que seu rival católico foi até o local enlameado e desolado apenas três ou quatro vezes. O bispo Quintana não quis se envolver na concorrência entre as fés. "O importante é que Deus está agindo por meio da engenhosidade humana para resgatar esses homens." / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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