Ilhas reavivam rivalidade sino-japonesa

Ativistas chineses atracam em área sob disputa para 'pescar e fazer turismo' e desatam crise diplomática

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h03

Uma área de 7 quilômetros quadrados transferida por Taiwan ao Japão, em 1895, depois da vitória do país na 1.ª Guerra Sino-Japonesa, voltou a alimentar a rivalidade entre os dois países.

O governo de Pequim exigiu ontem a libertação "imediata e incondicional" pelo Japão de 14 ativistas pró-China presos depois de atracar em ilhas reivindicadas pelos países.

Os ativistas presos estavam em um barco que partiu de Hong Kong em direção às ilhas - conhecidas como Senkaku, em japonês, e Diaoyu, em chinês. Com o fim da 2ª Guerra, as ilhas passaram a ser administradas pelos EUA, que as transferiram para o Japão, em 1971.

Pequim sustenta ter soberania sobre o território, que também é reivindicado por Taiwan. O porta-voz dos ativistas chineses, David Ko, disse à Associated Press que a intenção do grupo era mostrar que as ilhas historicamente pertencem à China, o que daria aos cidadãos do país o direito de ir ao local livremente para "pescar e fazer turismo". Essa foi a primeira vez, desde 2004, que cidadãos não japoneses conseguiram desembarcar nas ilhas, que têm potenciais reservas de gás e estão entre Taiwan e o Japão.

O governo de Tóquio convocou o embaixador chinês para protestar contra o que viu como uma invasão. O Ministério das Relações Exteriores em Pequim anunciou que iria formalizar representação contra a prisão dos ativistas - que são da China continental, Hong Kong e Macau.

Países asiáticos sustentam que o Japão não se desculpou de maneira apropriada pelos danos provocados no período de expansão de seu império. Tóquio ocupou partes da China a partir do fim do século 19 e iniciou uma brutal colonização da Coreia do Sul, em 1910, que só chegou ao fim com sua rendição na 2.ª Guerra.

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