Ilustração sobre Maomé gera críticas na Itália

Uma ilustração em uma revista católica italiana que se refere a Maomé e à política local gerou forte polêmica e foi criticada por cristãos e muçulmanos, obrigando o diretor do semanário, que é integrante do Opus Dei, a pedir "perdão cristão" a todos os muçulmanos ofendidos.O novo escândalo sobre Maomé foi gerado por Cesare Cavalleri, diretor da revista Studi Cattolici, que, em sua mais recente edição, lançou mão do Canto 26 de "A Divina Comédia", no qual Dante manda Maomé ao inferno, para incluir uma gravura crítica ao Islã e à política nacional.A ilustração não mostra a cara de Maomé (os muçulmanos consideram uma blasfêmia a representação do rosto de Maomé) e é muito difícil identificar, como Dante e Virgilio, os dois homenzinhos desenhados com poucos traços.A identificação só é possível graças ao diálogo entre os dois personagens e porque, no alto da figura, aparece escrito Canto 26" e, abaixo, é representado o inferno.Na charge, um homem pergunta ao outro: "Aquele que está ali, partido ao meio de cima a baixo, não é Maomé?". O outro responde: "Sim, está partido assim porque foi dividido pela sociedade". A réplica do outro é: "E aquela que se vê ali, com a calcinha arriada, é a política italiana sobre o Islã".Segundo o diretor da revista, a intenção da ilustração era fazer uma critica "não ao Islã, mas à fraqueza de identidade da Europa e da Itália e à perda de identidade do Ocidente".No entanto, o desenho gerou duras críticas, a começar pelo Opus Dei, como ficou claro no pronunciamento de seu porta-voz em Roma, Giuseppe Corigliano. Ele disse que São Josemaría Escrivá, o fundador da ordem, "teria dado a vida em respeito à liberdade religiosa de qualquer pessoa".Corigliano esclareceu que a Studi Cattolici não faz parte das publicações oficiais ou oficiosas do Opus Dei, embora Cavalleri seja integrante da ordem.O espanhol Justo Lacunza Balda, reitor do Instituto Pontifício de Estudos Árabes, disse não ter entendido a atitude, e defendeu que isto "não é espírito cristão" e que "Maomé não pode ser ridicularizado desta forma": "Ele, que é figura central para a fé de mais de um bilhão de pessoas no mundo".Diante do burburinho criado, Cavalleri frisou que só pretendia denunciar a crise de identidade cultural no Ocidente e pediu perdão novamente.

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