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Ilustradores transformam relatório oficial do 11/9 em quadrinhos

Americanos redesenharam documento do governo dos Estados Unidos e criaram graphic novel

estadão.com.br

31 de agosto de 2011 | 02h00

 

SÃO PAULO - Entre livros e filmes produzidos sobre os atentados terroristas de 11 de Setembro, Sid Jacobson e Ernie Colón olharam de uma forma diferente para a tragédia. Com base no extenso relatório elaborado pelas autoridades dos Estados Unidos, os americanos criaram uma história em quadrinhos do pior ataque já visto na história.

 

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Lançado em 2006 - e ainda sem edição no Brasil - The 9/11 Report: A Graphic Adaptation (O Relatório 11/9: Uma Adaptação Gráfica), a obra de Jacobson e Ernie, dois veteranos da indústria das HQs, relata o que aconteceu de errado antes, durante e depois do 11 de Setembro segundo a apuração do governo americano.

 

Os autores negam o rótulo de história em quadrinhos, embora a obra tenha sido editada no formato de gibi e use recursos como onomatopeias - um "Blam!" aparece nas páginas referente ao choque dos aviões, por exemplo. "É a história de uma investigação. É jornalismo gráfico", disse Jacobson ao jornal americano USA Today. "Não é uma dramatização", disse, referindo-se a filmes não documentais sobre os atentados.

 

Assim como o relatório original, a versão gráfica aborda mais os bastidores do 11 de Setembro, e não os atentados em si. A obra retrata os fatos que levaram aos ataques e o trabalho do governo sobre o caso. O relatório, elaborado por uma comissão bipartidária e publicado em 2004, ficou conhecido por apontar falhas e por criticar duramente o governo.

 

A ideia de produzir a história surgiu depois que Colón leu uma notícia sobre uma possível série de televisão baseada no relatório. O desenhista então imaginou a adaptação gráfica e pensou em usar a linguagem dos quadrinhos - painéis, ilustrações e diálogos em balões. Quando convidado, Jacobson aprovou o projeto e aceitou participar prontamente.

 

Depois de ler o documento, os autores pensaram em contar a história no formato de linha do tempo. No livro, mostraram o que estava acontecendo, quem sabia o que e quando, e as falhas de comunicação entre as agências do governo. De acordo com Colón, a parte fácil foi fazer os quadrinhos, o que fez a vida toda. "A difícil foi conviver todos os dias com a tragédia", disse ele.

 

Os autores tentaram distanciar suas experiências e opiniões do trabalho final. Quase todos os diálogos, diz Jacobson, têm base no relatório. "Quis ser o mais neutro possível", disse Colón, falando sobre as fotos que escolheu como modelo para as ilustrações.

 

A imaginação, porém, não ficou de fora. Como não há imagens de dentro dos aviões, por exemplo, o desenhista precisou criar as cenas com as informações textuais do relatório. Mas Colón contou ao USA Today que não conseguiu desenhar as situações nas quais as pessoas que estavam na Torre Norte do World Trade Center pularam do edifício para fugir dos incêndios. "Desenhar isso seria uma ofensa pessoal. Eu não poderia. Não queríamos fazer nada que pudesse ofender as pessoas", disse.

 

Os autores ainda defendem o formato usado para contar a história dos bastidores do 11 de Setembro, uma resposta à crença de que os quadrinhos não tratam de assuntos sérios. "Vivemos na cultura mais visualmente orientada da história da humanidade", disse Colón. Jacobson, por sua vez, lembra que os quadrinhos são usados até pelos militares na elaboração de manuais.

 

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