Imã estuda solução para encerrar polêmica sobre centro

O imã que encabeça os planos para a construção de um centro islâmico perto do lugar dos atentados do 11 de setembro de 2001 disse hoje que uma solução para o acalorado debate, desatado em torno de sua localização, está sendo estudado.

AE-AP, Agência Estado

13 de setembro de 2010 | 17h02

"Estamos explorando todas as opções neste momento, trabalhando para encontrar uma solução que, Deus queira, resolverá esta crise, acalmará e não resultará em situações inesperadas ou adversas que não queremos que ocorram", disse o imã Feisal Abdul Rauf, durante evento realizado no centro de estudos não governamental Council on Foreign Relations, em Nova York.

O religioso não especificou se as operações estudadas incluem a mudança do projeto para duas ou três quadras de distância do local original. Ele disse que a localização, ainda que controversa, é importante. "Necessitamos de uma plataforma de onde se possa amplificar a voz dos muçulmanos moderados". "Esta é uma oportunidade que devemos capitalizar para que a voz deles tenham um megafone", disse.

O imã disse querer esclarecer a "visão equivocada" de que o lugar proposto para o centro islâmico é uma terra sagrada. "É totalmente falso que a quadra é terra santa, como sugeriram", notou Rauf, lembrando que nas proximidades há locais para danças exóticas e apostas.

Rauf disse que o centro será um lugar para que "todas as religiões se unam em respeito mútuo". "O mundo estará observando o que fazemos aqui", afirmou. Além disso, ele criticou alguns aspectos em torno do debate desatado pela proposta. "Rechaçamos aqueles que querem usar esta crise para obter lucros políticos e inclusive fama", disse.

Os críticos do projeto argumentam que erguer uma mesquita tão perto do local onde extremistas islâmicos derrubaram as Torres Gêmeas é uma falta de respeito com as vítimas dos atentados. Os partidários da proposta alegam que ela é uma forma de respaldar a liberdade religiosa.

Defesa

Salman Rushdie, autor do livro "Versos Satânicos", não é um grande fã de cultos religiosos organizados, mas acredita que os muçulmanos devem receber permissão para construir uma mesquita e um centro islâmico a dois quarteirões do Marco Zero.

O romance satírico de Rushdie fez com que muçulmanos de todo o mundo se manifestassem nos anos 1980 pedindo a sua morte. Hoje, o autor disse que compreende a "sensibilidade" de construir o local perto de onde milhares de pessoas morreram em 11 de setembro de 2001. Por outro lado, Rushdie declarou que os direitos constitucionais de liberdade de expressão e de religião dos Estados Unidos devem ser honrados.

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