Burhan Ozbilici / The Associated Press
Burhan Ozbilici / The Associated Press

Imagem de assassino do embaixador russo na Turquia vence World Press Photo

Fotojornalista Burhan Ozbilici se emocionou durante a premiação e disse que, no momento do atentado, sentiu ‘a responsabilidade de representar o jornalismo’

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2017 | 10h58

AMSTERDÃ - Uma fotografia do assassino do embaixador da Rússia na Turquia, com a pistola ainda na mão e o corpo do diplomata estendido no chão em segundo plano, ganhou nesta segunda-feira, 13, o World Press Photo, prêmio mais importante do fotojornalismo internacional.

A imagem "Um assassinato na Turquia" é obra do fotojornalista turco Burhan Ozbilici, que trabalha há 28 anos para a agência de notícias Associated Press.

A fotografia foi feita no dia 19 de dezembro de 2016, quando um policial que estava de folga, Mevlut Mert, atirou contra o embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, em uma sala de exposições em Ancara.

"Felicito o fotojornalista, que teve muita coragem e fez seu trabalho de forma heroica", disse em entrevista coletiva o presidente do concurso, Stuart Franklin. "Não é fácil se imaginar em uma situação assim, sem saber o que está acontecendo, colocando sua própria vida em risco. A série de fotografias que ele fez é impressionante", acrescentou.

Ozbilici compareceu ao local da premiação emocionado e disse que "tinha duas possibilidades: ficar e fazer o trabalho de jornalista ou sair correndo", mas que sentiu "a responsabilidade de representar o jornalismo", por isso decidiu continuar fotografando com sua câmera, mesmo depois que o terrorista chegou a apontar sua arma para o público que estava no local.

"O homem armado tinha assassinado uma pessoa inocente, mas decidi seguir fazendo meu trabalho", disse Ozbilici. "Minha força interna, com base em valores humanos que todos nós compartilhamos, me dizia para permanecer de pé.”

O fotojornalista disse que não prestou atenção às palavras do terrorista, que após disparar contra o diplomata gritou: "Alá é grande! Alá é grande! Nós morremos em Alepo, vocês morrem aqui!", em referência à intervenção da Rússia na guerra da Síria.

"Se eu tivesse me concentrado em suas palavras não teria conseguido estabilizar-me em seus movimentos", disse o fotógrafo. Ele admitiu que sentiu medo, mas que, nesse momento, sentiu "o apoio de todos os colegas, do jornalismo e de todo o mundo".

O júri, que recebeu mais de 80,4 mil fotos, reconheceu em comunicado que selecionar a imagem de um atentado terrorista como fotografia do ano foi "uma decisão muito difícil", mas que reflete "o ódio de nossos tempos". / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.