Imagem de Chávez é a pior entre presidentes da América Latina

Pesquisa do Ipsos mostra que venezuelano é visto de forma negativa por 45% dos entrevistados; Lula é o mais bem avaliado

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

A retórica incandescente do presidente Hugo Chávez pode tê-lo transformado em personagem freqüente na mídia, mas não fez dele um líder com apoio popular na América Latina. A imagem popular de Chávez no continente é negativa, inclusive - e principalmente - no Brasil, revela a pesquisa ''''Latin American Pulse'''', do Ipsos Public Affairs, realizada em em julho de 2007 em seis países da região e divulgada com exclusividade pelo Estado. Na média, Chávez tem imagem positiva para 38% dos eleitores desses países e imagem negativa para 45%, com saldo de -7 pontos porcentuais. O Ipsos conclui que Chávez ''''não é figura dominante na América Latina''''.O líder latino-americano com melhor imagem popular no continente é o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, com uma média de 56% de imagem positiva, contra 20% de imagem negativa e um saldo de +36 pontos. Os números sugerem que o eleitor latino-americano pode estar cansando da retórica caudalosa da velha esquerda. Não é só Chávez que não encanta o povo: 47 anos depois de instalar uma ditadura em Cuba, Fidel Castro padece de um claro ocaso - ainda tem 36% de imagem positiva, mas é repudiado por 42% do continente que tentou incendiar.BRASIL CÁUSTICOO Brasil produziu um dos piores resultados para Chávez: aqui, ele tem imagem positiva para apenas 13% e imagem negativa para 48% (saldo de -35 pontos porcentuais). Afora Lula (59% de imagem positiva e 30% de imagem negativa, saldo de +29), os brasileiros foram cáusticos com os presidentes pesquisados.O melhor resultado foi de Néstor Kirchner, da Argentina com 24% positivos e 25% negativos (saldo de -1). Fidel Castro, de Cuba, teve saldo de -12; Evo Morales, da Bolívia, tem 15% de imagem positiva e 41% de imagem negativa (saldo de -26). O saldo da imagem popular de Chávez é altamente negativo no México (-47) e na Bolívia que ele tanto diz ajudar (-37). Chávez só é rei dentro de casa: na Venezuela, sua imagem tem saldo +38.Já Lula é muito bem avaliado nos seis países, o que o lhe atribui o posto de presidente com maior apoio popular no continente. Ele anotou saldos amplamente positivos em todos os países: +45 na Venezuela, +45 pontos porcentuais na Bolívia, +44 no Equador , +31 na Argentina e +25 no México (ver quadro nesta página). ''''Se houvesse eleição de presidente da América Latina, Lula seria o mais forte candidato'''', diz Alberto Carlos Almeida, diretor de planejamento do Ipsos.NÃO MAIS QUE UM MITOSegundo o Ipsos, a tão propalada influência de Chávez sobre os povos da América Latina é ''''um mito'''' - não existe. Esse mito, analisa, foi criado pela tentativa de Chávez de interferir em eleições de outros países e pela influência de uma elite formadora de opinião, que existe em vários países e lhe é favorável. ''''Na realidade, pouca atenção é dada aos apelos populares de Chávez na região'''', diz Clifford Young, diretor do Ipsos.A imagem de 11 presidentes foi questionada na pesquisa do Ipsos. A pior situação é de George W. Bush, dos EUA, que, na média, tem imagem positiva para 21% e negativa para 64% (saldo de -43 pontos). Outro esquerdista que alcançou resultado pífio foi o sandinista Daniel Ortega, da Nicarágua, que tem imagem positiva para 23% e negativa para 20%, com saldo de apenas +3, apesar de ter tomado posse este ano. Michelle Bachelet, do Chile, tem imagem positiva para 40% e negativa para 20%, com saldo de +20.OTIMISMOA pesquisa retratou uma América Latina altamente tomada pelo otimismo, diz o relatório do Ipsos, tanto no que tange à capacidade realizadora de seus governantes quanto no que os eleitores esperam do cenário político.Para o instituto, em parte, esse otimismo vem das recentes eleições presidenciais - houve nove eleições em apenas um ano e meio. ''''Eleições freqüentemente induzem o eleitorado à percepção de que o seu país está no rumo certo'''', afirma Young.Desde quarta-feira, o Estado procurou a Embaixada da Venezuela por telefone e por e-mail para comentar a pesquisa. As duas tentativas não foram respondidas até a noite de sexta-feira.

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