Imagem de reacionário persegue campanha de Sarkozy

O líder das pesquisas para a disputa presidencial francesa, Nicolas Sarkozy, foi obrigado a adotar uma postura defensiva quatro dias antes do primeiro turno das eleições, após vincularem ao candidato a imagem de um perigoso direitista, que assusta os eleitores. "O preocupante sr. Sarkozy", estampou em uma manchete o jornal esquerdista Libération ao apresentar uma reportagem segundo a qual os assessores do ex-ministro do Interior também estavam preocupados com a inabilidade dele ao tentar amenizar sua imagem de linha-dura e atrair os eleitores moderados. Os principais adversários de Sarkozy - a socialista Ségolène Royal (em segundo lugar nas pesquisas) e o centrista François Bayrou (terceiro lugar) - concentram seus ataques na personalidade do ex-ministro, tentando fazer com que os franceses, ao votar, pensem não apenas nas políticas do candidato, mas também na pessoa dele. Pintando-o como um direitista irritadiço e perigoso, Royal e Bayrou afirmam que a inabilidade demonstrada por Sarkozy ao visitar bairros multiétnicos de cidades da França acompanhado de um pequeno exército de policiais antimotim mostrava a incapacidade dele de ser a força unificadora que um presidente deve ser. E uma semana de intensa troca de acusações entre Sarkozy e o extremista de direita Jean-Marie Le Pen, que viu nas manifestações do adversário sobre a imigração, a criminalidade e a identidade nacional um esforço para roubar-lhe eleitores, também prejudicou os esforços do ex-ministro de apresentar-se como uma pessoa mais tolerante. "Sou atacado de manhã, de tarde e de noite. E de forma bastante violenta", afirmou Sarkozy à rádio France Inter. "Estou tentando dizer ao povo francês que vou uni-lo. E, para fazer isso, preciso amá-lo, compreendê-lo, ouvi-lo. É isso que farei no segundo turno, se conseguir chegar lá." Em janeiro, o bloco de Sarkozy lançou esforços para domar a língua normalmente ferina do candidato, atenuar sua linguagem corporal e adotar algumas das palavras-chave do discurso de Royal (tais como "respeito", "confiança" e "debate"), em uma tentativa, segundo especialistas, de "segolenizar" o direitista. Uma pesquisa realizada pela Reuters com economistas mostrou que, na opinião deles, as políticas sugeridas por Sarkozy teriam as maiores chances de incentivar o crescimento da economia francesa. Mas uma pesquisa do instituto CSA divulgada na quarta-feira, mostrou um empate dele com Royal, sugerindo que Sarkozy ainda tem de convencer os eleitores de que seu governo seria mais contido que seus discursos. Royal também mudou de tática ao longo da campanha, realizando anúncios diários sobre suas políticas e tentando assim evitar uma repetição do que ocorreu em 2002, quando Le Pen conseguiu derrotar o candidato socialista no primeiro turno das eleições, disputando com um direitista a rodada final do pleito.O segundo turno das eleições está marcado para o dia 6 de maio.

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