Imagem de venezuelano piora na região

Pesquisas de opinião realizadas em países latino-americanos mostram que a imagem do presidente Hugo Chávez foi manchada depois que ele recorreu a uma série de medidas tidas como "antidemocráticas", entre elas ataques à mídia e o uso de decretos para governar. Chávez também aproximou-se de governantes polêmicos, como Alexander Lukashenko, da Bielo-Rússia, e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã.

The Washington Post, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

"Os latino-americanos têm uma imagem ruim da democracia na Venezuela", disse Marta Lagos, diretora do Latinobarometro, organização chilena que realiza pesquisas de opinião na região. Em fevereiro, o Latinobarometro publicou um relatório mostrando que os latino-americanos enxergam a Venezuela como um país menos democrático do que os demais, atribuindo ao governo Chávez a nota de 4,3 numa escala que vai até 10. Quando o grupo pediu aos entrevistados que dessem uma nota aos líderes das Américas, Chávez ficou em penúltimo lugar.

Mesmo na Bolívia e na Argentina, países que mantêm boas relações com a Venezuela, menos de 35% dos entrevistados manifestaram uma opinião favorável a respeito de Chávez. "Evidentemente, tudo isso mostra que Chávez não é um líder na região", disse Marta.

Para a Venezuela, essa nova dinâmica reflete a convergência de fatores que interferiram no objetivo de Chávez de limitar a influência americana. O presidente Barack Obama tem um alto índice de aprovação em toda a América Latina e a maioria dos líderes sul-americanos é de centristas que facilitam a globalização e nutrem laços comerciais com os EUA.

Instituições multilaterais, como o Banco Mundial, que concedem empréstimos a países em dificuldades e foram acusadas por Chávez de serem ferramentas do imperialismo americano, seguem em plena atividade e chegaram até a emprestar quantias recordes a toda a América Latina nos últimos anos.

Intromissão. Em reuniões particulares com diplomatas americanos, alguns líderes latino-americanos expressaram seu desagrado com o que consideram ser o estilo invasivo de Chávez no tratamento dos assuntos do continente, de acordo com documentos diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks.

No início do ano, o presidente peruano Alan Garcia disse ao jornal chileno El Mercurio que Chávez se intrometia nos assuntos de outros países, mas era agora menos influente. "Não respeito ninguém que queira pregar além das próprias fronteiras", disse Garcia.

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