KCNA/Korea News Service via AP
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Imagens de Kim Jong Un a cavalo em monte sagrado multiplicam interpretações políticas

Viagens do líder norte-coreano são consideradas carregadas de significado político e antecipam decisões importantes; Kim esteve no Monte Paektu em outubro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 17h35

SEUL - A imprensa oficial da Coreia do Norte difundiu nesta quarta-feira, 4, enigmáticas fotografias do líder Kim Jong Un a cavalo nos campos nevados no Monte Paektu, lugar considerado sagrado, levantando especulações sobre o significado político dessas imagens.

Alguns especialistas afirmam que as visitas do dirigente a este lugar, berço do povo norte-coreano, precedem anúncios políticos importantes. Em outubro, Kim visitou essa montanha e foram publicadas várias fotografias suas a cavalo nesse vulcão inativo na fronteira com a China.

As fotografias dessa quarta-feira coincidem com o congelamento das negociações com os Estados Unidos sobre a questão nuclear. Pyongyang deu a Washington até o final do ano para que faça alguma concessão.

O dirigente norte-coreano, sobre um cavalo branco, foi fotografado à frente de um grupo de apoiadores, entre eles sua mulher, Ri Sol Ju. 

A tradição diz que essa montanha teria sido local de nascimento do lendário rei Tangun, neto de Cielo e fundador do primeiro reino coreano.

A propaganda norte-coreana assegura também que foi onde nasceu o pai de Kim Jong Un, Kim Jong Il, filho e sucessor do fundador do regime, Kim Il Sung, em um acampamento secreto que este último dirigia durante a ocupação japonesa.

Essa hipótese foi desmentida por historiadores, que consideram que Kim Jong Il nasceu no povoado de Vyatskoye, na Sibéria, em 1941.

Segundo a agência oficial KCNA, durante sua visita a leste do monte, Kim Jong Un deixou "uma pegada sagrada nos lugares onde se travaram batalhas revolucionárias".

Símbolo de resistência

Para os especialistas, essas fotografias querem reafirmar a liderança e a legitimidade de Kim, que costuma visitar o monte Paektu duas vezes por ano.

Em 2013, ele visitou o local antes da disputa que resultou na queda de seu poderoso tio Jang Song-thaek. Em dezembro de 2017 visitou o lugar pouco antes da histórica abertura da Coreia do Norte que resultou no encontro com Donald Trump em junho de 2018, em Singapura.

Há especialistas que interpretam a roupa de Kim como uma mensagem implícita. "O couro simboliza a resistência da Coreia do Norte", apontou nesta quarta-feira o pesquisador Ahn Chan-il, referindo-se ao casaco do dirigente nas fotografias.

O fato de estar no local onde seu avô resistiu frente ao Japão pode ser uma mensagem de que "seu descendente pode fazer o mesmo, mas desta vez frente aos Estados Unidos", acrescentou.

Em 1 de janeiro, Kim pronunciará um esperado discurso de Ano Novo. Sem dúvida, mencionará as negociações sobre o tema nuclear, que estão paralisadas desde o fracasso da segunda cúpula de Trump em fevereiro, em Hanói.

A Coreia do Norte é alvo de múltiplas sanções da comunidade internacional, devido a seus programas nucleares e balístico. Nesta semana, Kim inaugurou uma nova cidade nos confins do país como demonstração de resiliência frente aos estragos financeiros provocados pelas sanções. 

Há alguns dias, a KCNA publicou declarações do ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Ri Thae Song, em que assegurou que "o presente de Natal que os Estados Unidos receberão dependerá totalmente da decisão tomada".

Na quarta-feira, a agência KCNA anunciou também que o comitê central do Partido dos Trabalhadores se reunirá nos próximos dias para "falar de temas cruciais vinculados à necessidade de desenvolvimento da revolução coreana e às mudanças ocorridas na Coreia e no exterior". / AFP          

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