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Imagens de satélite da Faixa de Gaza aparecem borradas no Google Maps

Baixa resolução das imagens do território palestino no Google Maps, um dos lugares mais densamente povoados do mundo, torna difícil identificar até mesmo edifícios em alguns casos; imagens do território israelense também aparecem borradas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 17h02

LONDRES - Em meio a um dos piores embates entre israelenses e palestinos nos últimos anos, pesquisadores que monitoram o conflito por meio de informações de domínio público manifestaram preocupação com o fato de as imagens de satélite da região começarem a aparecer borradas no Google Maps

A baixa resolução das imagens de satélite do território palestino no Google Maps, um dos lugares mais densamente povoados do mundo, torna difícil identificar até mesmo os edifícios em alguns casos. Imagens do território israelense também aparecem em baixa resolução. 

Uma reportagem da rede britânica BBC mostrou que imagens de satélite no Google Maps da capital norte-coreana, Pyongyang, são de qualidade muito maior, apesar de se tratar de um regime extremamente fechado. 

O Google depende de uma série de terceiros que possuem satélites para fornecer imagens que são combinadas pela equipe de mapeamento para tentar criar o que chama de mapa perfeito. No entanto, como mostrou a reportagem da BBC, os pesquisadores acharam um absurdo que o Google ainda esteja fornecendo imagens borradas mesmo depois que as fotografias de satélite de alta qualidade já tinham sido fornecidas por empresas como Maxar e Planet Labs. 

Procurado pela BBC, o Google informou que as imagens foram geradas por uma ampla gama de fornecedores e considera  a possibilidade de atualizar as imagens de satélite assim que outras de alta resolução ficarem disponíveis, mas não tem planos de fazer isso agora. 

“No geral, nosso objetivo é manter lugares densamente povoados atualizados regularmente e acompanhar um mundo em mudança, então vamos atualizar as áreas com mais frequência quando acharmos que há muitos prédios ou estradas em andamento”, escreveu o estrategista de dados geográficos do Google Matt Manolides em um post de blog.

Também questionada, a gigante a de tecnologia Apple, cujo aplicativos de mapeamento também mostram imagens de satélite, informou que estava trabalhando para atualizar seus mapas com imagens de alta resolução. 

Com mais de 13 mil pessoas por quilômetro quadrado, a Cidade de Gaza é mais densamente povoada do que as grandes cidades do mundo, como Londres e Xangai. Mas o Google Maps mostra imagens mais nítidas de áreas muito menos densamente povoadas do que Gaza. 

“A imagem mais recente do Google Earth é de 2016 e parece lixo. Aumentei o zoom em alguma área rural aleatória da Síria e ela teve mais de 20 imagens tiradas desde então, em alta resolução ”, tuitou Aric Toler, jornalista do Bellingcat.

Funcionários judeus do Google pedem apoio aos palestinos 

Um grupo de funcionários judeus do Google pediu à empresa que condene as ações dos militares israelenses em meio ao bombardeio contínuo da Faixa de Gaza e apoie os palestinos, de acordo com uma carta interna divulgada por uma reportagem do site The Verge

Na carta, os funcionários pedem ao CEO Sundar Pichai que condene publicamente as operações militares e reconheça os danos causados pelos militares israelenses e pela violência de gangues aos palestinos. 

O apelo foi feito por um novo grupo de funcionários judeus do Google - Diáspora na Tecnologia -, formado no ano passado após se separar de outro grupo de funcionários acusado de sufocar as críticas a Israel, segundo a reportagem do Verge.

Além da declaração pública, a carta pede ao Google que centralize as vozes dos funcionários palestinos da empresa; financie alívio para palestinos afetados pela violência do conflito; rejeite quaisquer definições que sustentem que a crítica a Israel seja antissemitismo; e revise e, se preciso, rescinda contratos com instituições que apoiam as violações israelenses dos direitos palestinos.

Membros do grupo disseram ao site de notícias que foram inspirados a escrever a carta - que já havia recebido 250 assinaturas - depois que o chamado grupo divergente não divulgou uma declaração condenando a violência contra os palestinos. 

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