DigitalGlobe via AP
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Imagens de satélite mostram vilarejos rohingyas destruídos em Mianmar

De acordo com a Human Rights Watch, pelo menos 55 vilas foram arrasadas ao norte do Estado de Rakhine, nos arredores da cidade de Maungdaw, epicentro da violência do Exército birmanês contra a minoria muçulmana; quase 700 mil fugiram para Bangladesh

O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2018 | 10h10

YANGON - Imagens de satélite divulgadas nesta sexta-feira, 23, pela Human Rights Watch (HRW) demonstram, segundo a ONG, que dezenas de vilarejos rohingyas foram destruídos com tanques na região oeste de Mianmar (veja abaixo o antes e o depois).

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"Muitas aldeias foram cenário de atrocidades contra os rohingyas e deveriam ser preservadas para que especialistas nomeados da ONU investigassem", disse Brad Adams, diretor da HRW para a Ásia.

Nas imagens, a Human Rights Watch contabiliza pelo menos 55 vilarejos arrasados ao norte do Estado de Rakhine, nos arredores da cidade de Maungdaw, epicentro da violência.

Quase 700.000 rohingyas fugiram de Mianmar para o vizinho Bangladesh desde a explosão de violência de 2017, que a ONU chamou de limpeza étnica realizada pelo Eexército.

As fotos divulgadas nas redes sociais desde o início de fevereiro pelo embaixador da União Europeia em Mianmar, Kristian Schmidt, após uma viagem oficial a Rakhine, mostram zonas inteiras destruídas com tanque.

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O governo birmanês afirma que isto é parte de um "plano para a repatriação", mas a explicação não convence especialistas e ONGs.

O Exército de Mianmar admitiu que soldados e habitantes budistas da região mataram rohingyas a sangue frio, no primeiro reconhecimento público de violações dos direitos humanos após meses negando as acusações.

Os jornalistas não têm acesso à região, o que impossibilita a verificação de acusações de assassinatos, estupros e torturas.

Demonização

Na véspera, a Anistia Internacional (AI) criticou a "demonização" dos rohingyas no oeste de Mianmar e a inação dos líderes mundiais perante a limpeza étnica e a onda de refugiados desta minoria muçulmana.

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Assim se expressou o secretário-geral da AI, Salil Shetty, no prólogo do Relatório 2017/2018 sobre a situação dos direitos humanos no mundo apresentado em Washington.

"Durante 2017, milhões de pessoas de todo o mundo provaram os frutos amargos do auge da política de demonização. As suas consequências mais extremas ficaram manifestas na atroz campanha militar de limpeza étnica empreendida contra o povo rohingya em Mianmar", afirmou Shetty.

A AI rotulou a campanha militar de "ilegítima e desproporcional" e acusou os soldados de "crimes contra a humanidade" ao plantar minas antipessoais, queimar cidades inteiras, matar civis e estuprar mulheres e meninas.

O relatório afirma que a população rohingya vive em Rakhine uma situação de "apartheid" na qual se restringem seus direitos à nacionalidade, à liberdade de circulação, de acesso adequado à saúde, educação, trabalho ou liberdade de religião.

Também acusa o governo civil liderado pela vencedora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, de ter se abstido de protestar ou intervir perante a violência exercida pelas forças de segurança.

"Pelo contrário, (o governo) desacreditou o pessoal de auxilio humanitário, o qual acusou de ajudar 'terroristas'", destaca o documento da AI, que acrescenta que as autoridades também impediram a entrada de um equipe de investigação da ONU.

De acordo com o relatório, o governo permitiu e emitiu diretamente em meios de comunicação estatais e nas redes sociais "discursos de ódio que incitavam a discriminação e a violência" contra os muçulmanos e os rohingyas. / AFP e EFE

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