Imagens mostram suspeito perto do consulado saudita vestindo as roupas do jornalista morto

Emissora americana descreve o homem como um ‘dublê de corpo’ e membro do grupo de 15 sauditas enviados a Istambul que tinham Jamal Khashoggi como alvo; noiva da vítima foi colocada sob proteção policial

O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 08h13
Atualizado 22 de outubro de 2018 | 20h29

ISTAMBUL, TURQUIA - A Arábia Saudita teria usado um “dublê” do jornalista Jamal Khashoggi para tentar confundir os investigadores da Turquia e provar que ele deixou consulado em Istambul, disse nesta segunda-feira, 22, uma fonte turca à rede americana de televisão CNN. O informante, ligado às investigações, afirma que um dos 15 sauditas que chegaram à cidade no mesmo dia em que Khashoggi desapareceu foi visto em diversos pontos da cidade, usando as roupas do jornalista.

jornalista assassinado

Além da CNN, a emissora turca TRT também alega que um homem deixou o consulado saudita em Istambul trajando as roupas de Khashoggi. Foto: CNN / Reprodução

A CNN teve acesso às imagens de câmeras de segurança que mostram um homem saindo do consulado saudita em Istambul, onde Khashoggi foi morto, vestindo as roupas do jornalista, uma barba falsa e óculos. Segundo um oficial turco a par da investigação, o homem foi identificado como Mustafa al-Madani. Com 57 anos, ele tem aparência física semelhante à de Khashoggi e sua participação na operação teria o objetivo de atrapalhar a investigação.

“Você não precisa de um dublê para uma rendição ou um interrogatório”, disse o funcionário turco à CNN. “Nossa avaliação não mudou desde 6 de outubro. Este foi um assassinato premeditado e o corpo foi retirado do consulado”.

Dublê de corpo 

As imagens mostram Madani chegando ao consulado por volta das 11 da manhã de 2 de outubro vestindo uma camisa xadrez azul. Quatro horas depois, ele deixa o consulado vestindo a calça cinza e a jaqueta preta de Khashoggi, acompanhado por outro homem carregando uma sacola plástica branca. 

O vídeo mostra os dois suspeitos pegando um táxi para o distrito de Sultan Ahmet, onde entram em um banheiro. Madani então surge vestindo a mesma camisa xadrez de antes. Os dois homens descartam a sacola de plástico que, segundo autoridades turcas, continha as roupas de Khashoggi. Mais tarde, os dois são vistos rindo ao se aproximarem da entrada do hotel Movenpick.

As filmagens das câmeras de vigilância provavelmente vão desafiar, mais uma vez, as explicações do governo saudita sobre o que ocorreu no consulado e nas horas seguintes ao assassinato de Khashoggi.

As autoridades sauditas ofereceram várias narrativas inconsistentes de como Khasshogi foi morto. Quando a noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, denunciou o seu desaparecimento, elas afirmaram que o jornalista havia entrado no prédio do consulado, mas que ele teria saído pelos fundos momentos depois. Esta foi a primeira explicação da Arábia Saudita para o caso. Só na última sexta-feira (19), o país admitiu que o jornalista foi realmente assassinado dentro do consulado.

A versão mais recente da Arábia Saudita é que Khashoggi foi morto dentro do consulado depois de ter se envolvido em uma luta corporal com 15 homens – alguns dos quais seguranças próximos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MBS), líder do país.

No domingo, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, prometeu divulgar amanhã, 23, informações sobre o caso. Erdogan e o presidente Donald Trump teriam conversado por telefone no domingo à noite e concordaram em “esclarecer o incidente de Jamal Khashoggi”. / AFP, REUTERS e W.POST

 

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