Imigração de crianças define agenda política dos Estados Unidos

A imigração de crianças desacompanhadas para os EUA - saídas principalmente de El Salvador, Guatemala e Honduras - dominou a pauta da política americana nas últimas duas semanas e acirrou a disputa entre democratas e republicanos. O presidente Barack Obama pediu na semana passada que o Congresso aprove US$ 3,7 bilhões para conter a situação qualificada de crise humana.

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h00

O dinheiro seria usado para pagar horas extras aos policiais de fronteira, contratar mais juízes de imigração, enviar ajuda aos países da América Central para repatriarem os deportados e melhorar os locais onde os imigrantes ilegais ficam detidos. Os republicanos condicionam a aprovação da proposta a mudanças na lei imigratória.

Em razão de uma legislação de 2008, as crianças ilegais que chegavam aos EUA - exceto as que saíram de países fronteiriços, como o México - eram entregues ao Departamento de Saúde e Serviço Social, responsável por elas durante o processo de deportação até 72 horas após serem presas.

O assunto levou Obama a mudar a agenda política durante visita que fez ao Texas na quarta-feira. Inicialmente com o intuito de levantar fundos para candidatos democratas, a visita ao Estado se tornou uma discussão sobre a imigração ilegal. O presidente se encontrou com o governador republicano Rick Perry e reforçou o pedido para que os dois partidos trabalhem juntos para resolver a crise.

A questão reforçou os esforços de Obama em pedir a aprovação da reforma imigratória. O presidente afirmou que os republicanos da Câmara devem colocar a reforma, aprovada pelo Senado no ano passado, em votação ou tomará medidas executivas para conter a crise. O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, contrário à proposta, afirma que não votará o projeto neste ano.

Há um ano, a Casa Branca elaborou um documento mostrando que a reforma, além de beneficiar a questão social, pode melhorar a economia americana e justifica a afirmativa citando o comércio. "Em 2007 os imigrantes que possuíam um pequeno negócio geraram US$ 776 bilhões em receita e empregaram 4,7 milhões de pessoas", diz o documento.

O estudo também rebate o argumento republicano de que a reforma permitiria que imigrantes, ao serem legalizados, fariam os americanos perderem o emprego.

Desde outubro de 2013, mais de 52 mil crianças desacompanhadas foram pegas tentando entrar nos EUA vindas da América Central. O número é o dobro do mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

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