Imigração divide candidatos republicanos

Na acalorada disputa dos pré-candidatos republicanos à Casa Branca, imigração ilegal virou questão de polícia. Um exemplo é o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, antes tido como "liberal", que agora defende a deportação pura e simples de todos os indocumentados em solo americano. Mas em El Paso, cidade texana conhecida como uma das portas de entrada dos clandestinos, esse tipo de discurso soa como uma aberração.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agência Estado

11 de dezembro de 2011 | 08h05

É "óbvio" que expulsar todos os imigrantes ilegais dos EUA é impossível, diz ao Estado Carlos Spektor, advogado da cidade especializado em casos de indocumentados. Romney estaria jogando para a torcida, em busca do apoio das alas mais à direita de seu partido.

O ingresso de clandestinos nos EUA caiu nos últimos seis anos. Em 2010, o número de apreensões de ilegais tentando cruzar a fronteira - principal indicador usado para medir o fluxo dos indocumentados - foi 61% menor do que o de 2005, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Uma parte da explicação para a redução relativa está na piora das condições da economia americana. Outra, nos vultosos investimentos dos últimos anos no controle da fronteira dos EUA com o México.

A imigração consumiu boa parte do debate promovido pela rede de TV CNN sobre segurança nacional no fim de novembro, ao lado de questões sobre Irã, o terrorismo e Israel. Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Deputados e principal rival de Romney nas pesquisas de opinião, arriscou perder votos entre os republicanos mais radicais ao sugerir a permanência dos ilegais estabelecidos por muito tempo nos EUA. Seu objetivo: o voto latino conservador. "Gingrich chegou à conclusão óbvia de que expulsar todos os imigrantes ilegais é impossível e já está pensando na sua disputa com (Barack) Obama", afirma Spektor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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