Imigração é tema central das eleições na Austrália

A comunidade internacional condenou a recente e rigorosa política do primeiro-ministro da Austrália, John Howard, de rejeição aos imigrantes ilegais. Neste sábado, será a vez de os eleitores australianos expressarem seu julgamento. Ao buscar o terceiro mandato para seu governo conservador nas eleições nacionais deste sábado, Howard fez da política de rejeitar os que tentam entrar ilegalmente na Austrália uma de suas maiores bandeiras de campanha, ao lado de seu firme apoio aos ataques liderados pelos Estados Unidos contra o Afeganistão.Quando as pesquisas de opinião feitas logo após o lançamento, em agosto, da nova política de imigração, demonstraram que ela contava com um apoio de mais de 70% da população, Kim Beazley, líder do Partido Trabalhista, da oposição, também passou a apoiá-la. O primeiro-ministro Howard não deixou que as mortes por afogamento de duas refugiadas, ocorridas nas águas da Austrália na última quinta-feira, o desviassem da sua mensagem de campanha: a de que este tipo de "boat people" não é bem-vindo.As duas mulheres que se afogaram estavam entre cerca de 160 refugiados que puseram fogo em uma embarcação indonésia na qual se encontravam, quando a Marinha australiana mandou que o barco voltasse para as águas internacionais."Não vamos permitir que a situação chegue a um ponto em que os imigrantes ilegais possam vir para este país sem passar pelos procedimentos normais de solicitação de refúgio ou de imigração", afirmou Howard.Com o tema da imigração dominando a campanha, Beazley lutou para promover sua agenda progressista de reforma de impostos e de mais fundos para educação, saúde e pesquisa. "Estamos lutando bastante para passar nossas mensagens, e parece que algumas pessoas estão nos entendendo", disse ele nesta sexta.Embora a eleição seja considerada muito acirrada, analistas dizem que Howard é visto como mais forte do que Beazley no tema da imigração, considerado crucial.No pleito de sábado estarão em jogo todos os 150 assentos da Câmara Baixa do Parlamento e 40 das 76 cadeiras da Câmara Alta, o Senado. O voto é obrigatório para os 12,6 milhões de eleitores australianos, e o comparecimento às urnas costuma girar em torno de 96%.Uma margem de votos de 0,8%, em nível nacional, seria suficiente para o Partido Trabalhista vencer a coalizão de Howard, formada pelo Partido Liberal e pelas agremiações nacionais, que contam com uma base entre a população rural.

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