AFP PHOTO / SAUL LOEB
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Imigração é um privilégio, não um direito, diz Trump

Em entrevista coletiva ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, presidente americano diz que a segurança dos cidadãos americanos é prioridade de seu governo e reafirma compromisso com Otan

O Estado de S. Paulo

17 de março de 2017 | 15h29
Atualizado 17 de março de 2017 | 17h27

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 17, em entrevista coletiva ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, após reunião bilateral na Casa Branca, que imigração é um privilégio e não um direito dos cidadãos de outras nações.

"Reconhecemos que a segurança de imigrantes significa segurança nacional. Devemos proteger nossos cidadãos daqueles que tentam espalhar terrorismo, extremismo e violência dentro do nosso país", disse Trump. "A imigração é um privilégio, não um direito e a segurança dos nossos cidadãos sempre deve estar em primeiro lugar, sem questionamento." 

Trump disse ainda que EUA e Alemanha devem trabalhar juntos para se protegerem de extremistas islâmico e derrotarem o Estado Islâmico e reafirmou o compromisso dos americanos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O republicano cobrou, porém, que os outros membros da aliança paguem valores justos para ajudar a custear a organização. "Muitas nações devem vastas quantias de dinheiro (à Otan) e isso é muito injusto com os EUA. Esses países devem pagar o que devem", cobrou o presidente.

Merkel, por sua vez, disse que discutiu com Trump sobre a continuidade da missão conjunta no Afeganistão.

O presidente americano ainda elogiou os esforços de governo Merkel e do governo francês para buscar uma solução pacífica para a Ucrânia. Merkel disse que Trump se comprometeu “pessoalmente” com os acordos de Minsk, de fevereiro de 2015, para buscar uma solução para o conflito na Ucrânia.

Na área econômica, Trump defendeu políticas comerciais justas e recíprocas, que ajudem as pessoas que foram afetadas pelas correntes comerciais globais. “Devemos trabalhar juntos por políticas comerciais que sejam justas e recíprocas e beneficiem nossos povos. Milhões de americanos que trabalham duro foram colocados de lado pelo comércio internacional”, afirmou o presidente.

Questionado por um repórter se ele se arrependia dos tuítes que posta, respondeu que “muito raramente”. Trump também negou que pratique uma “política isolacionista” e insistiu que suas posições respondem à necessidade dos EUA de serem tratados “de maneira justa” no cenário internacional. 

Espionagem. Ele ainda falou sobre suas acusações de que o ex-presidente Barack Obama o espionava. Questionado por um repórter alemão sobre o motivo de a Casa Branca ter citado uma reportagem da Fox News que afirma que uma agência de vigilância britânica foi usada para grampear os telefones de Trump na campanha eleitoral, ele se virou para Merkel e disse: “Ao menos temos uma coisa em comum”. A chanceler se irritou ao descobrir por divulgações feitas pelo WikiLeaks que a Agência de Segurança Nacional dos EUA havia grampeado seu telefone.

Mais cedo, a Casa Branca tentou amenizar a relação com Reino Unido após sugerir que Obama teria usado uma agência de espionagem de Londres para conduzir seus planos de vigiar Trump. Segundo o jornal The New York Times, o porta-voz do governo americano, Sean Spicer, e o conselheiro de Segurança Nacional, o general Herbert McMaster, contataram funcionários britânicos para tentar lidar com situação entre EUA e seu aliado mais próximo.

A chanceler começou seu discurso dizendo que “é melhor falar um com o outro do que falar um do outro”. A relação entre Trump e Merkel foi fria até agora: antes de chegar ao poder em janeiro, o novo presidente americano acusou a líder alemã de ter cometido “um erro catastrófico” com sua política de refugiados, enquanto ela criticou o veto migratório imposto pelo americano e suspenso por um juiz federal. 

Merkel manifestou seu desejo de que Trump reconsidere retomar as negociações sobre o tratado de livre-comércio e investimentos (TTIP) entre a União Europeia e os EUA. A reunião de ontem permitiu um primeiro contato pessoal antes da rodada de cúpulas multilaterais dos próximos meses – da Otan, do G7 e do G20. / REUTERS, EFE e AFP

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