Imigração e voto em 2016

Reforma da imigração vira batalha pelo eleitorado latino, crucial nas próximas eleições

É JORNALISTA, DAVID , LIGHTMAN , MCCLATCHY NEWSPAPER, É JORNALISTA, DAVID , LIGHTMAN , MCCLATCHY NEWSPAPER, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h01

O debate sobre imigração nos EUA virou uma disputa épica entre duas das forças políticas mais poderosas do país, o crescente e crucial eleitorado latino e um movimento conservador bem financiado e motivado. Ele também causou um cisma no Partido Republicano, uma divisão com potencial de causar feridas sérias. A questão se alçou ao topo das preocupações da comunidade hispânica, na qual a maioria dos eleitores diz conhecer algum imigrante sem documentos.

Para os conservadores, a votação do Senado para promulgar uma legislação abrangente foi a última evidência de que o governo se tornou demasiadamente intrusivo. "Como o Obamacare, essa lei é excessivamente abrangente e oferece comissões e mordomias a interesses especiais, não tem segurança de fronteira mensurável ou aplicável", disse Jenny Beth Martin, coordenadora do Tea Party Patriots, grupo da direita conservadora.

Muitos hispânicos enquadram a questão de um modo muito diferente. "A imigração sempre foi importante, mas esse Congresso a tornou ainda mais importante", disse Matt Barreto, um dirigente da Latino Decisions, que pesquisa a opinião hispânica.

Quatorze republicanos no Senado se uniram a 53 democratas e dois independentes para aprovar a lei da semana passada. Esses republicanos enfrentam agora ameaças de retaliação do poderoso bloco conservador do partido. O cisma é uma perspectiva assustadora para os líderes republicanos, para os quais a marca do partido está perdendo prestígio com os eleitores latinos.

O candidato presidencial republicano, Mitt Romney, recebeu 27% do voto hispânico em 2012 e novas pesquisas revelam que a maioria dos possíveis candidatos republicanos para 2016 teria um resultado igualmente fraco.

Oposição. Em 2014, o voto latino pode ser decisivo em pelo menos cinco disputas apertadas para o Senado. O destino dos assentos na Câmara continua incerto. Os líderes republicanos pretendem se reunir com sua base na semana que vem e preparar os próximos passos. Os conservadores deixaram claro que não gostaram do tempo de 13 anos determinado para a cidadania que foi elaborado pelo Senado.

O prêmio maior, onde todos os olhares estão concentrados, é a corrida presidencial de 2016. No ano passado, os hispânicos foram 8,4% de todos os eleitores, ante 7,4% em 2008. Seus votos, possivelmente, jogaram papéis importantes em Estados-chave.

Importância. No Colorado, onde Obama venceu com 51%, ele superou Romney na proporção de três para um entre os hispânicos, que eram 14% do eleitorado. Em Nevada, onde Obama teve 52% dos votos, seu total latino foi 71% - o eleitorado latino no Estado é 19%.

A principal incerteza é o comparecimento às urnas do eleitor qualificado latino - no ano passado, ele foi de 48%, bem abaixo do número de brancos (64,1%) e de negros (66,6%), segundo dados do censo.

Estrategistas veem o voto latino como uma força inexplorada e a imigração poderá perfeitamente ser a disputa que acenderá o fogo. A pesquisa revelou que 53% dos hispânicos viam a imigração como a questão mais importante da comunidade, com a economia e empregos em distante segundo lugar, com 28%.

Poucos questionam a importância da questão, mas nenhum lado está flexibilizando sua visão sobre como resolver o problema. "Essa lei vai tornar o governo ainda mais poderoso do que ele já é", disse Martin. Cuidado com essas visões, advertiu Barreto: "Se a Câmara resolver radicalizar, eles terão problemas". TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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