EFE/ David Maung
EFE/ David Maung

Imigração legal aos EUA deve cair 12% com Trump

Governo argumenta que política rígida deriva de preocupações com segurança nacional e esforço em preservar empregos de americanos

Abigail Hauslohner e  Andrew Ba Tran / The Washington Post , O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Enquanto o debate sobre imigração se concentra na tentativa de desencorajar a imigração ilegal separando-se famílias na fronteira, o governo Trump se prepara para investir em outra antiga meta: reduzir a imigração legal.

O número de pessoas recebendo visto permanente para viver nos EUA pode cair 12% nos dois primeiros anos do presidente Donald Trump no poder, segundo dados do Departamento de Estado analisados pelo Washington Post.

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Entre os países mais afetados estão os de maioria muçulmana incluídos na lista de proibição de viagens do presidente – Iêmen, Síria, Irã, Líbia e Somália. O número de novas entradas nos EUA de pessoas desses países deverá cair 81% até 30 de setembro, fim do ano fiscal. Na semana passada, a Suprema Corte manteve a proibição, abrindo caminho para uma queda ainda mais dramática no número de chegadas desses países. A imigração legal de países de maioria muçulmana como um todo deverá cair um terço.

O governo Trump argumenta que sua política de imigração deriva de preocupações com a segurança nacional e do esforço de preservar empregos para americanos. Funcionários e especialistas em imigração levantaram a preocupação de que o enfoque do governo mirando certas nacionalidades configure discriminação a países pobres e de população não branca. 

A análise do Post também constatou declínio entre nacionalidades não atingidas pelo bloqueio de viagens de Trump, incluindo quase todos os países que tipicamente recebem o maior número de vistos dos EUA para imigrantes. O número de vistos a pessoas de México, República Dominicana, Filipinas, China, Índia, Vietnã, Haiti, Bangladesh, Jamaica, Paquistão e Afeganistão também diminuiu. Entre os dez países que mandam mais imigrantes para os EUA, apenas El Salvador deve receber mais vistos no governo Trump: um aumento de 17% nos dois primeiros anos fiscais. O número de vistos para africanos deve cair 15%. 

Já o fluxo de imigrantes legais da Europa cresceu ligeiramente, embora o número total de vistos para europeus seja muito menor que os concedidos a imigrantes da África, Ásia e América Latina. 

Não ficou claro se a queda nos vistos reflete um declínio do interesse em migrar para os EUA, já que o Departamento de Estado não libera detalhes sobre os pedidos. 

A redução na imigração ilegal é o oposto da tendência vista com o presidente Barack Obama. Durante os mandatos de Obama, o número de vistos para imigrantes aumentou 33%, chegando a 617.752 no ano fiscal de 2016, o maior índice em décadas. 

Trump disse que deseja limites adicionais na imigração em parte por acreditar que imigrantes representam uma competição injusta para trabalhadores americanos. Mas alguns de seus críticos dizem que Trump procura desacelerar a transição para uma população americana “majoritariamente minoritária”, citando a propósito suas observações preconceituosas contra muçulmanos e sua qualificação recente de Haiti, El Salvador e nações africanas como “países de merda”. 

O deputado Cedric Richmond, democrata da Luisiana e presidente da bancada formada por negros do Congresso, disse que a proposta de Trump de “Fazer os EUA grandes novamente” na verdade é a proposta de “Fazer os EUA brancos novamente”. O governo nega que suas políticas de imigração sejam discriminatórias.

O argumento econômico de Trump contra a imigração é que o desemprego caiu para 3,8%, o menor índice em quase duas décadas. Entretanto, alguns lembram que há setores empresariais americanos com falta de empregados e um freio na imigração legal poderia prejudicar ainda mais um mercado de emprego no qual 6,6 milhões de vagas não estão preenchidas. Calcula-se que a imigração legal supere a ilegal na proporção de 3 por 1, segundo estatísticas do Pew Research Center. 

O governo Trump já conseguiu fazer mudanças significativas na imigração sem a participação do Congresso, em parte dando a funcionários consulares orientação para mudar o modo como pedidos de vistos de entrada são avaliados e processados, informaram funcionários e especialistas independentes. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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