Christopher Millette/Erie Times-News via AP
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Imigrante que estuda medicina em faculdade americana teme por seu futuro

Jennifer Chang chegou aos EUA com 5 anos trazida por seus país; ela conseguiu ser aceita em Yale, mas políticas anti-imigração de Trump podem interromper alguns de seus sonhos

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2017 | 15h26

A estudante Jennifer Chang (pseudônimo) comemorou quando recebeu sua carta de aceitação da Escola de Medicina de Yale. Ela pensou que seu sonho de ser médica estava perto de se tornar realidade. Mas agora, com 26 anos, ela teme que seu futuro acabe sendo diferente.

Segundo a emissora CNN, ela é uma imigrante sem documentação e, portanto, um alvo do presidente dos EUA, Donald Trump, e de suas políticas anti-imigração.

“Fui trazida da China para os EUA por meus pais quando eu tinha 5 anos”, contou. “Entramos legalmente e até solicitamos um pedido formal de residência permanente. Mas levou cerca de 10 anos para a rejeição acontecer, e nessa época eu já considerava os EUA a minha casa.”

Assim como muitas outras crianças que chegaram ao território americano ilegalmente com seus pais, Jennifer conseguiu um adiamento temporário no seu processo de deportação, chamado Daca (Deferred Action for Childhood Arrivals).

Criada na gestão do ex-presidente Barack Obama, a medida suspende as deportações dos que entraram nos EUA quando tinham menos de 16 anos. Além disso, concede a milhares de jovens uma permissão de residência e trabalho de dois anos, passível de renovação.

Foi graças à política do Daca que Jennifer conseguiu entrar na faculdade que queria. Ela é uma das cerca de 70 estudantes de medicina em diversas universidades do país que conseguiram o benefício e o usam para terminar sua formação, de acordo com a CNN. Mas todos eles temem que a política dura contra imigração ilegal de Trump ameace a existência do programa e, portanto, suas carreiras.

O republicano prometeu preservar a política Daca para aqueles que já a possuem, chamados “dreamers”. Se for aprovada pelo Congresso, eles passariam a ter sua permanência no país legalizada.

Mesmo assim, o mandatário também condenou os abusos do programa Daca, alegando que membros de gangues e traficantes de drogas estariam entre os solicitantes do benefício, mesmo sabendo que criminosos são barrados.

Jennifer queria estudar medicina em razão do pai dela, que sofre de uma doença crônica severa e é deficiente físico. “Em consequência do status de imigração e da falta de dinheiro, ele não teve um plano de saúde e não conseguia se consultar com um médico para avaliar os sintomas”, disse ela. “Ver a situação dele me inspirou a trabalhar na área de assistência médica.”

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