Luca Bruno/AP
Luca Bruno/AP

Imigrantes na Itália montam acampamentos improvisados dentro de estações de trem

País vive crise e está com centros de acolhida lotados em razão do alto número de imigrantes que chega ao local pelo Mediterrâneo 

O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 09h13

ROMA - O sistema de amparo a imigrantes da Itália está à beira do colapso e com isso centenas de refugiados vagam pelas estações de trem, transformadas em improvisados acampamentos, à espera de prosseguir sua viagem para outros lugares da Europa.

A Itália, zona de passagem entre a África e a Europa, enfrenta uma delicada situação em razão do incessante fluxo de imigrantes que chega a seu litoral fugindo da miséria e dos conflitos armados sofridos em seus países de origem.

O Ministério do Interior italiano informou que desde 1.º de janeiro deste ano a quantidade de imigrantes que desembarcaram no país chega a 56.738. Um número elevadíssimo que transbordou a vasta rede de centros de amparo preparados pelo Estado italiano, que agora se vê incapacitado para dar cobertura a mais pessoas.

Uma situação que, além disso, conta atualmente com uma particularidade: o fechamento do espaço europeu de Schengen até 15 de junho devido à já finalizada cúpula do G7 realizada na cidade alemã de Elmau. Por essa razão, vários imigrantes que, após serem resgatados em alto-mar, tentavam chegar aos países do norte da Europa através da Itália estão presos nas principais estações ferroviárias do país, explicou Laura Bastianetto, porta-voz da Cruz Vermelha italiana.

Improviso. Os imigrantes se viram obrigados a fazer uma inesperada parada e tentar seguir a vida nas proximidades das estações, já que os saturados centros de amparo não têm espaço disponível.

Bastianetto disse que em Roma cerca de 500 imigrantes de nacionalidade etíope e eritreia andam pelos arredores da Estação Tiburtina, a segunda em importância da capital após Termini. Sob um sol abrasador, eles permanecem à sombra das árvores, em penosas condições higiênicas, sem banheiros e deitados sobre papelões e objetos de uso que conseguiram levar consigo desde a fuga dos países de origem.

Os imigrantes recebem ajuda de pessoas do bairro, que os levam caixas de pizza e garrafas de água, mas também de organizações humanitárias como a Cruz Vermelha, que transferiu à área uma unidade móvel e fixou um acampamento para fornecer assistência sanitária e comida.

A porta-voz da organização explicou que por dia são registrados entre 50 e 60 pacientes doentes, especialmente com problemas dermatológicos e queimaduras contraídas durante a viagem na embarcação na qual atravessaram o Mediterrâneo.

O que ocorre na capital italiana se assemelha à situação da cidade de Milão, onde outros 500 imigrantes vivem na Estação Central que já conta com um centro de saúde fixo e uma ambulância para os casos mais graves.

Essas pessoas, da mesma forma que em Roma, são obrigadas a esperar na estação ferroviária já que os três centros de Milão estão saturados e os poucos postos que vagam são destinados prioritariamente a mulheres e crianças.

A questão da saúde dos imigrantes preocupa muito as autoridades italianas já que, segundo informaram os meios de comunicação, na estação milanesa já foram registrados cerca de 500 casos de sarna e alguns de malária.

Conversas. Enquanto isso, os países da União Europeia (UE) mantêm um tenso debate sobre o número de imigrantes que estão dispostos a acolher, depois da iniciativa proposta pela Comissão Europeia no mês passado de dividir as pessoas que chegam entre os integrantes do bloco.

No caso da Itália, a questão da imigração se transformou em uma arma na vida política e um recurso eleitoral para partidos como o xenófobo Liga Norte (LN). /EFE

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