Imigrantes protestam contra maus tratos na Austrália

Testemunhas afirmam que vítimas de naufrágio poderiam ter sido salvas

Efe,

18 de dezembro de 2010 | 03h25

SYDNEY - Em torno de 100 imigrantes ilegais detidos pela Austrália na Ilha Christmas protestaram neste sábado, 18, contra as condições às quais estão submetidos, após cerca de 30 clandestinos terem morrido em um naufrágio próximo ao local.

 

Na sexta-feira, 17, foram realizadas duas manifestações pacíficas no centro de detenção de imigrantes irregulares no Oceano Índico, informou a agência local AAP. Os protestos se desenvolveram sem incidentes e aproveitaram a presença da mídia para denunciar a situação dos clandestinos na chamada "ilha-prisão".

 

Relatos de testemunhas, entre elas algumas vítimas da tragédia de quarta-feira, 15, assinalaram que os imigrantes poderiam ter sido salvos se a Marinha australiana não tivesse demorado tanto para intervir. Os imigrantes também denunciaram a má qualidade da comida e pediram ajuda às Nações Unidas para melhorar sua situação.

 

As autoridades australianas reconheceram que há dias as instalações nas quais vivem cerca de seis mil clandestinos em Ilha Christmas estão sem energia elétrica devido a um blecaute ainda não solucionado.

 

Enquanto isso, as equipes de resgate seguem as buscas por corpos, que, segundo a própria primeira-ministra, Julia Gillard, podem nunca ser encontrados, já que a falta de certeza quanto ao número exato de viajantes na embarcação prejudica os trabalhos.

 

Gillard assegurou que o Departamento de Alfândega investigará o acidente, enquanto o opositor Partido Verde e os defensores dos direitos dos imigrantes ilegais solicitaram que este processo fique a cargo de uma comissão independente.

 

Milhares de imigrantes viajam todos os anos para a Austrália em busca de trabalho e de uma vida melhor, e 2% destes pedem asilo por virem de zonas de conflito, como Afeganistão, Iraque e Sri Lanka.

 

Quando interceptados, a política oficial australiana impede sua entrada no país para situá-los depois em outros países ou enviá-los à Ilha Christmas, que aloja cerca de seis mil refugiados que chegaram em 2010.

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