AP Photo/Christophe Ena
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Imigrantes que deixaram Calais acampam em Paris

Após remoção da ‘selva’, autoridades têm de lidar com transferência de estrangeiros para as ruas da capital francesa

Andrei Netto Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2016 | 20h15

O Ministério do Interior da França anunciou nesta sexta-feira, 28, a intenção de desmontar o campo de imigrantes na região de Stalingrad, em Paris. O acampamento vem crescendo desde o início da semana, quando começou a operação de retirada dos estrangeiros da “selva” de Calais, no norte do país. 

Hoje, forças de segurança realizaram uma “operação de controle”, obrigando as pessoas que estavam acampadas nas calçadas a retirarem suas barracas. A expectativa é de que uma operação de transferência para centros de acolhimento, similar à realizada em Calais, seja realizada a qualquer momento. 

Segundo ONGs, nos últimos dias o número de estrangeiros que se instalaram na região aumentou de 2 mil para 3 mil. A prefeitura de Paris afirma que há cerca de 30% de pessoas a mais nas barracas instaladas em torno das praças Stalingrad e Jaurès. ONGs estão distribuindo refeições e cobertores para os migrantes, que dormem em plena rua.

A explicação seria a chegada de parte dos que partiram de Calais e não desejam ir para abrigos do Estado. Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, 28 operações de transferências de imigrantes alojados nas ruas e em acampamentos a céu aberto foram realizadas nos últimos meses, totalizando mais de 20 mil pessoas em abrigos. Segundo Cazeneuve, o grupo acampado em Paris não foi inchado pela desocupação de Calais, mas o ministro reconheceu que alguns dos atuais moradores podem ter vindo da cidade litorânea. 

“Desmantelaremos nos próximos dias o campo de migrantes de Paris”, afirmou o ministro. “A estratégia é fazer de forma com que os que precisam de proteção na França sejam acolhidos com um nível de proteção que corresponda à nossa tradição em matéria de asilo.”

Para Cazeneuve, não há risco de que o acampamento de Calais seja reocupado pelos moradores, nem que Paris se transforme em um novo refúgio. “Calais é uma operação que não termina e não se trata apenas de desmantelar, mas de garantir a continuidade”, reiterou o ministro, que defende o aspecto “humanitário” da iniciativa do governo.

 

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