Impasse ameaça renovação de mandato de missão da ONU

Russos são contrários a proposta ocidental de punir Assad em caso de descumprimento de metas do plano de paz

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h04

Com o Conselho de Segurança dividido às vésperas do fim do prazo para renovar a resolução para a manutenção da missão observadora da ONU na Síria, o mediador do conflito e ex-secretário-geral da entidade, Kofi Annan, reuniu-se ontem em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin, sem conseguir avançar no objetivo de um consenso entre as potências mundiais.

Diante da divisão na comunidade internacional, a votação de uma nova resolução no conselho, prevista para hoje, deve ser adiada para amanhã ou até sexta-feira, prazo-limite para a renovação da missão na Síria. Depois disso, os monitores precisarão fazer as malas e deixar o país, que segundo a Cruz Vermelha já está em guerra civil.

Todos os membros permanentes do Conselho de Segurança concordam com a manutenção da missão de observação e o início da implementação do plano Annan para a transição na Síria. A diferença é que os EUA, a França e a Grã-Bretanha exigem a adoção de ameaças de sanções ao regime de Bashar Assad caso ele não cumpra com os termos determinados.

Em declaração depois do encontro entre Putin e Annan, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse não haver razão para não chegarem a um acordo no Conselho de Segurança. "Estamos preparados para isso", declarou. O chanceler, porém, não indicou que a Rússia esteja disposta a ceder e acusou o Ocidente de usar chantagem no caso sírio. Ele próprio deixou claro que as ameaças de sanções, na visão de Moscou, são apenas um degrau antes de tentar uma intervenção militar.

Annan disse esperar que o conselho continue as suas discussões e encontre uma linguagem com que todos concordem. Apesar do tom diplomático, o mediador não esconde o temor de uma divisão na hora da votação, com os russos usando o seu poder de veto caso a resolução posta na mesa por britânicos, franceses e americanos inclua sanções. A China tende a seguir a Rússia.

Nos Estados Unidos, crescem os temores da Casa Branca de que o regime de Assad passe a usar armas químicas contra a população.

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