Impasse bloqueia acordo na reta final da Conferência do Clima da ONU

A 17ª Conferência do Clima da ONU, a COP-17, em Durban, passava por um impasse e, por volta das 2h40 de hoje, os negociadores presentes na África do Sul ainda não tinham chegado a um consenso. A Venezuela e a Arábia Saudita eram alguns dos países que mais discordavam da negociação, repetindo o que ocorreu na COP-15, em Copenhague.

AFRA BALAZINA , ENVIADA ESPECIAL , DURBAN, ÁFRICA DO SUL, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h01

A presidente da COP-17, a sul-africana Maite Nkoane-Mashabane, fez um apelo para que os países aprovassem os textos e, assim, fortalecessem o multilateralismo.

A COP-17 ganhou ontem o título de reunião mais longa da história para definir como os países vão combater as mudanças climáticas. Muitos ministros e delegados deixaram Durban - principalmente representantes dos Estados-ilha e das nações menos desenvolvidas - e havia a possibilidade de suspensão do encontro por falta de quórum.

Mas a reunião continuou e a plenária final da COP-17 ainda não havia começado até o fechamento desta edição. As duas primeiras plenárias, uma sobre o Protocolo de Kyoto e outra sobre as ações de longo prazo que os países deverão fazer para combater as mudanças climáticas, tiveram muitos desentendimentos. Na primeira, Claudia Salerno, representante da Venezuela, criticou a União Europeia e a falta de ambição do documento.

Na plenária informal que ocorreu depois dessas duas negociações, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado afirmou que os países não podiam "perder de vista a importância política" que tinham em mãos. Ele se referia ao fato de a negociação conseguir trazer os EUA e a China para um acordo com força de lei a partir de 2020. "Temos a oportunidade de abrir uma nova era de cooperação no contexto da Convenção do Clima. Vamos trabalhar para o sucesso da COP na África aprovando os textos que estão em sua consulta."

O chefe da delegação americana, Todd Stern, não se manifestou sobre o texto do Protocolo de Kyoto, pois seu país nunca ratificou esse tratado. Falou sobre o documento das ações de longo prazo, que o texto não era perfeito, mas que apoiava sua adoção.

Numa plenária informal realizada mais tarde, o representante da Noruega pediu aos países que não se insultassem mutuamente e se imbuíssem do espírito de Mahatma Gandhi para fazer da conferência um sucesso - o famoso indiano morou em Durban por muitos anos.

Lentidão. A COP-17 deveria ter terminado na sexta, mas no fim da tarde de ontem ministros ainda negociavam a portas fechadas para tentar fechar um pacote com a continuação do Protocolo de Kyoto e definir um roteiro para o futuro acordo global, com metas obrigatórias de cortes de emissão de gases-estufa para todos os países, a partir de 2021.

Para o Brasil, a prioridade era garantir um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, já que sua primeira fase termina em dezembro de 2012.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.