Impasse diplomático faz crescer temor de ação militar de Israel

Ataque sem aval dos EUA é improvável, diz analista; riscos à economia global tornam sanções mais duras impraticáveis

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h06

Com a disputa em torno do relatório da agência atômica sobre o Irã, dificilmente o Conselho de Segurança das Nações Unidas será capaz de adotar medidas de consenso. E, quanto mais inerte a diplomacia, maiores as possibilidades de Israel tentar agir por conta própria.

China e Rússia já declararam que o relatório da AIEA não dá motivos para novas sanções multilaterais contra Teerã. Países como Brasil, Índia e Turquia deixam nas entrelinhas que tampouco apoiarão novas punições. EUA e a União Europeia, entretanto, já discutem a adoção de mais sanções unilaterais para tentar "segurar" o programa iraniano. Enquanto isso, Israel se impacienta.

Meir Javedanfar, analista iraniano-israelense do Centro Interdisciplinar de Herzliya, perto de Tel-Aviv, duvida que mesmo um governo mais radical como o de Binyamin Netanyahu lance um ataque ao Irã sem a bênção dos EUA. "Israel recebe US$ 3 bilhões por ano dos EUA. O Irã responderia a uma ação israelense com ataques a tropas americanas no Afeganistão e Iraque. Netanyahu não arriscará a relação com os EUA atacando, sozinho, o Irã."

Risco de contágio. Quanto às sanções unilaterais, Javedanfar e o pesquisador da Federação de Cientistas Americanos Ali Vaez chamam atenção para um impasse curioso. O próximo "alvo natural" das medidas seria o Banco Central do Irã, mas, se o sistema financeiro iraniano for atingido, países europeus à beira da falência serão nocauteados de vez.

O bloqueio ao BC iraniano elevaria de modo imprevisível o peço do petróleo. O Irã é o terceiro maior fornecedor de óleo e gás à China - ao todo, 15% do petróleo consumido por chineses vem dos iranianos - e, com o corte do combustível, dificilmente Pequim manterá suas altas taxas de crescimento. Sem o empurrão da China, a economia global estará ainda mais em apuros.

Outro problema é a Itália, diz Javedanfar. O Irã, apesar de seu crescente isolamento, continua a ser um cliente importante de empresas italianas. O golpe contra o BC de Teerã praticamente congelaria esse comércio em um momento em que a terceira maior economia da UE tenta conter a todo custo a explosão de sua dívida.

Há duas semanas, a Casa Branca reconheceu que punir o BC de Teerã seria "perigoso" e prometeu pensar em alternativas. / R.S.

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