Ronaldo SCHEMIDT / AFP
Ronaldo SCHEMIDT / AFP

Impasse em coalizão opositora dificulta diálogo na Venezuela

Partidos que integram a MUD discordam sobre participação em conversas com o governo Maduro mediadas pelo Vaticano

O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2016 | 20h16

CARACAS - Um impasse interno na coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) dificulta a realização dos diálogos com o governo de Nicolás Maduro mediados pelo Vaticano, iniciativa anunciada na semana passada. Líderes dos partidos que compõem a MUD se reuniram entre sábado e este domingo, 30, em Caracas para discutir a participação nas conversas, mas não houve definição, segundo fontes.

O diálogo com o Executivo estava previsto para ter início neste domingo mesmo com a mediação do enviado do papa Francisco, Emil Paul Tscherrig, e da União das Nações Sul Americanas (Unasul) na capital venezuelana. Os partidos Primero Justicia (PJ), Acción Democrática (AD), Un Nuevo Tiempo (UNT) e Voluntad Popular (VP) – fundado pelo líder opositor Leopoldo López – não concordam em participar do diálogo e exigem a presença da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de alguns ex-presidentes no processo.

O VP afirma que as condições para se instalar uma mesa de conversas não foram cumpridas, mas espera que sejam atendidas para que o diálogo possa ocorrer, afirmou à EFE uma fonte do partido. Para alguns opositores, o encontro deste domingo com o governo era visto como uma manobra de Maduro para ganhar tempo.

 

“A agenda é clara: solução eleitoral, libertação dos presos políticos e retorno dos exilados, assistência às vítimas da crise humanitária e o respeito à Assembleia Nacional. Desse encontro podem haver conclusões importantes que irão ‘desescalar’ o conflito”, afirmou o secretário-executivo da MUD, Jesus Torrealba.

Opositores também rejeitam a participação nas conversas do chefe da delegação do governo, Jorge Rodriguez, acusando-o de liderar ações violentas contra o Legislativo, de maioria opositora. Grupos chavistas invadiram uma sessão especial da Assembleia Nacional no domingo da semana passada. 

Enquanto a oposição discutia, a delegação do governo Maduro também se reunia em Caracas para alinhar as posições que seriam adotadas para o início dos diálogos. No sábado, a chanceler Delcy Rodríguez havia confirmado o início das conversas com a oposição. “Começa na Venezuela um diálogo com setores da oposição”, declarou Delcy em um discurso na 25.ª Cúpula Ibero-americana em Cartagena, na Colômbia, justificando a ausência do presidente Maduro no evento. 

Maduro havia anunciado que estaria pessoalmente na reunião desta tarde. Torrealba representaria os partidos que integram a MUD. 

Clima. A mesa de negociações entre governo e oposição foi anunciada na semana passada por Tscherrig num momento de grande tensão na Venezuela. A Justiça venezuelana suspendeu o processo para convocar um referendo revogatório do mandato de Maduro por alegações de fraude e a oposição começou a realizar diversos protestos no país. 

Nesta quinta-feira, opositores devem marchar até o palácio presidencial de Miraflores, o que levanta acusações por parte do chavismo de que eles querem reprisar o episódio do golpe frustrado de 2002, contra o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, que na época permitiu a realização do referendo e venceu nas urnas. / AFP, EFE e REUTERS

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