Impasse faz UE adiar decisão sobre envio de tropas ao Congo

Somente Bélgica tem posição clara a favor de missão militar; membros do governo e rebeldes iniciam diálogo

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 14h54

A União Européia (UE) adiou tomar uma decisão sobre o envio de soldados à República Democrática do Congo (RDC) devido à divisão entre os países membros sobre que resposta dar ao pedido de ajuda militar do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Delegados do governo do Congo e das forças rebeldes iniciaram nesta segunda-feira, 8, as negociações para um acordo de paz apoiadas pelas Nações Unidas. A intenção é encerrar a violência que já forçou mais de 250 mil pessoas a abandonarem suas casas no leste congolês desde agosto. Veja também:ONU acusa governo e rebeldes de abusos no CongoGuerra do Congo se espalha pela ÁfricaHistórico dos conflitos armados no Congo Segundo fontes diplomáticas, "há opiniões distintas" entre os 27 membros da UE e, enquanto a Bélgica é o único país claramente a favor de uma missão militar européia em sua ex-colônia, outros, como a Alemanha, expressaram mais reservas, embora não uma oposição precisamente de confronto. Em um meio termo, membros como Espanha, Irlanda, República Tcheca, Holanda e Luxemburgo se mostraram abertos à eventualidade de enviar soldados, mas apenas após um estudo mais profundo. Por isso, o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, e a Comissão Européia (CE, órgão executivo do bloco) foram encarregados de preparar uma resposta ao pedido do secretário-geral da ONU para que a UE se envolva militarmente na RDC, pelo menos até a chegada de três mil novos capacetes azuis à região. Uma das possibilidades colocadas sobre a mesa durante a reunião realizada nesta segunda foi que cada país decida sua cooperação bilateral com a ONU, e optem enviar tropas que operem sob sua bandeira. Possivelmente os ministros de Assuntos Exteriores voltarão a tratar este assunto durante o jantar de quinta-feira.  Negociações O enviado especial da ONU para o Congo Osulegun Obasanjo disse que as conversas desta segunda-feira entre governo e rebeldes no Congo tinham como objetivo permitir um cessar-fogo duradouro e permitir a entrega de produtos na tumultuada região.  Porém, nem o líder rebelde Laurent Nkunda nem o presidente do Congo, Joseph Kabila, estavam presentes. Kabila se recusou até agora a encontrar Nkunda, dizendo que um encontro do tipo legitimaria os rebeldes. O líder insurgente diz que combate para proteger as minorias no Congo, especialmente os tutsis étnicos. No entanto, os críticos apontam que o interesse principal de Nkunda é ganhar poder e riquezas minerais do país. Tanto forças do governo quanto rebeldes são acusadas por estupros, mutilações e assassinatos de civis. Há uma força de 17 mil mantenedores de paz da ONU no país, que deve ser reforçada com mais 3 mil homens. A agência da ONU para refugiados informou que mais de 30 mil refugiados congoleses fugiram para a vizinha Uganda, desde agosto. Os refugiados têm atravessado a fronteira desde o início de uma ofensiva rebelde após anos de redução da violência no leste do Congo, disse Roberta Russo, uma porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) na capital de Uganda. "A saúde, a água e o saneamento básico continuam representando os grandes desafios nos acampamentos" para refugiados, afirmou.

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