Impasse judicial cria limbo político no Paquistão

Após a reeleição do general Pervez Musharraf nas eleições indiretas de sábado, o Paquistão entrou numa espécie de limbo político. Isso porque apesar de ter conseguido a ampla maioria dos votos no Parlamento e nas províncias, Musharraf ainda terá de esperar ao menos dez dias para saber se poderá ou não assumir a presidência. A partir do dia 17, a Suprema Corte do país irá analisar a elegibilidade do general. Sua candidatura pode ser considerada ilegal porque, segundo a legislação, ele não poderia concorrer enquanto ocupasse o cargo de comandante das Forças Armadas. Musharraf havia prometido deixar o comando militar se fosse eleito.Analistas duvidam que os juízes ousariam a decidir contra Musharraf, ainda mais fortalecido após a vitória. A Suprema Corte é considerada hostil ao general desde que ele tentou destituir um juiz em março. "A Corte pode estar com medo do que venha a acontecer porque eles não esperam que Musharraf deixe o cargo. Aliás, ninguém no Paquistão acredita que ele vá deixar o cargo", afirmou o analista político Hassan Askari Rizvi. Há temores de que, com uma decisão desfavorável, Musharraf imponha a lei marcial no país.

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