Impasse na cúpula favorece Uribe

Sem revelar pacto com EUA, colombiano evita limites jurídicos e inclui ?condenação ao terrorismo? no texto final

Ariel Palacios e Denise Chrispim Marin, BARILOCHE, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Alvo privilegiado das críticas deferidas pelos líderes ditos "bolivarianos", o presidente colombiano, Álvaro Uribe, conseguiu se esquivar e, ao final, conquistar um resultado favorável na cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O texto final do encontro não consegue impor limites jurídicos claros ao novo acordo entre Bogotá e Washington, e ainda faz referência explícita à "luta contra o terrorismo e os crimes transnacionais" na região, conforme queria a diplomacia colombiana.Equador e Venezuela haviam exigido que Uribe apresentasse na reunião o texto integral do acordo de cooperação com os Estados Unidos. Mas o pedido foi - discretamente - declinado.Em seu discurso, o líder colombiano atacou o que considera como uma "falta de apoio de países da América do Sul" no combate ao narcotráfico. Segundo Uribe, ao contrário dos países vizinhos, que se omitiram, os Estados Unidos sempre ofereceram ajuda "eficaz".Em posição de ataque, Uribe acusou indiretamente o "intervencionismo" da Venezuela e denunciou uma suposta concessão de asilo do governo de Hugo Chávez a dois guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Chávez não rebateu. Mais moderado do que na reunião anterior, no dia 10 em Quito, o venezuelano insistiu na sua preocupação com a ampliação da presença americana na região. "Se o presidente Uribe permitir a instalação dessas bases, nem ele nem seus sucessores conseguirão voltar atrás. A semente do conflito estará semeada na América do Sul", afirmou, com o cuidado de não mencionar a palavra "guerra".O venezuelano deixou para Rafael Correa, presidente do Equador e líder temporário da Unasul, a tarefa de ampliar a ofensiva retórica. "Se (soldados americanos) bombardearem o Equador, que tem uma política progressista, podem retornar à Colômbia e, com base na imunidade prevista no acordo, estarão livres de qualquer julgamento no país", afirmou. Em março de 2008, a Colômbia atacou um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, levando os dois países a cortar relações diplomáticas.Uribe reafirmou que o novo acordo não é uma renúncia da Colômbia à soberania. O documento, insistiu, não permite a circulação de armas e de tropas estrangeiras em território colombiano, nem em países vizinhos. Uribe pediu que a Unasul examine todos os acordos militares bilaterais firmados por seus sócios, em especial com terceiros países e os de compra de armamento. O pedido foi uma alfinetada indireta nos acertos feitos pela Venezuela com a Rússia e o Irã, e pelo Brasil com a França.OBAMAMesmo sem a resposta da Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que o bloco concentre esforços para agendar uma conversa com o presidente Barack Obama. A iniciativa abafou a manobra inicial de Chávez, que buscava desviar o foco da Colômbia para tentar levantar a Unasul contra os EUA. Ao final, a Colômbia vetou a inclusão da "convocação" do presidente Obama no texto final da cúpula.Chávez dedicou a maior parte de seu discurso ao Livro Branco do Comando de Monitoramento Aéreo dos EUA, que supostamente colocaria a América do Sul no centro de uma estratégia do Pentágono para vigilância. Segundo Uribe e o próprio Pentágono, o documento era acadêmico, e não militar.

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