Impasse sobre Cuba e Malvinas impede declaração final na Cúpula das Américas

Presidente colombiano Juan Manuel Santos afirma que países querem Cuba na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos

AFP,

15 de abril de 2012 | 17h24

CARTAGENA, COLÔMBIA - A falta de acordo sobre a participação de Cuba e o apoio à Argentina sobre a questão das Malvinas impediu que líderes americanos chegassem a um consenso para a declaração final conjunta na Cúpula das Américas, afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos. "Não há declaração porque não há consenso", disse ele.

Santos destacou que, mesmo assim, o encontro foi útil porque pela primeira vez os 31 chefes de estado e de governos presentes falaram de todos os temas sem tabus. "Finalmente estamos discutindo as questões", disse ele. "Drogas era um tema que ninguém coloca na mesa. Cuba e Malvinas não eram discutidos, e desta vez foram".

O presidente colombiano expressou sua esperança de que Cuba participe pela primeira vez do próximo encontro das Américas, que deve ser realizado no Panamá em 2015. De acordo com ele, a maioria dos países disse esperar que Cuba faça parte da cúpula, o que não ocorreu antes. Isso deve, segundo ele, iniciar uma série de iniciativas para fazer com que o país participe do próximo encontro.

No encontro anterior realizado em Trinidad e Tobago, em 2009, a declaração final foi firmada pelo chefe de governo anfitrião, também por falta de acordo sobre a inclusão de Cuba.

Santos destacou também o passo histórico de discutir pela primeira vez alternativas para a guerra contra as drogas, uma estratégia liderada pelos Estados Unidos e que deixou milhares de mortos na América Latina e no Caribe nos últimos 40 anos - um debate impulsionado pelo presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina.

Houve consenso para explorar novos enfoques sobre o tema: todos os dirigentes concordaram sobre a necessidade de analisar os resultados da atual política e de explorar novos enfoques para fortalecer a luta. Santos explicou ainda que a Organização de Estados Americanos (OEA) iniciará o estudo com informações de outros órgãos internacionais, como a Organização Panamericana de Saúde e delegações da ONU contra as drogas. O presidente colombiano anunciou também a realização de uma reunião no Peru em breve para abordar a questão.

Tudo o que sabemos sobre:
Cúpula das AméricasCubaMalvinasOEA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.