Impasse sobre datas bloqueia diálogo entre Evo e oposição

Governo pretendia convocar referendo até dia 1.°; opositores querem um mês

Efe e Reuters, Cochabamba, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

Diante da recusa da oposição em aceitar uma proposta do governo boliviano para submeter ao Congresso até o dia 1º a convocação do referendo constitucional, partidários do presidente Evo Morales denunciaram ontem a "falta de interesse e de disposição dos governadores regionais" em fechar um acordo para pôr fim à crise no país. "Meu grande desejo é terminar hoje (ontem) esse diálogo, sobretudo com o acordo que garanta a autonomia e a convocação do referendo", disse Evo, à noite, numa entrevista coletiva. Um pouco antes, membros do governo criticaram o clima de "vaivém" das negociações.Pela proposta de Evo, seriam incluídas no projeto constitucional "as modificações necessárias para viabilizar o regime autônomo defendido por Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca", explicou o porta-voz da presidência, Ivan Canelas.No entanto, os governadores que participam há cinco dias das negociações em Cochabamba argumentam que precisam de mais tempo para debaterem o tema e alegam que o pré-acordo que abriu o caminho para o diálogo, no começo da semana passada, estabelece que há um mês de prazo para encaminhar a convocação do referendo sobre o texto da futura Carta para o Congresso. Segundo o governador do Departamento (Estado) de Tarija, Marío Cossío, que representa outros políticos opositores, a proposta de Evo para aprovar em poucos dias a convocação supõe "aceitar às cegas" o texto constitucional promovido pelo Executivo. A inclusão das autonomias no projeto constitucional é um dos temas centrais da mesa de diálogo de Cochabamba. Outro ponto vital é a dotação das receitas petrolíferas, das quais os departamentos exigem uma parcela. Os confrontos entre o governo e a oposição da Bolívia estendem-se por mais de três semanas e já deixou o saldo de pelo menos 18 mortes.Embora os manifestantes da oposição tenham levantado a maior parte dos bloqueios de estrada e ações de ocupação de edifícios públicos nos departamentos que exigem autonomia, grupos de partidários de Evo, alguns armados, dirigiam-se ontem a Santa Cruz - principal reduto da oposição.

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