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Impasse sobre fraudes aprofunda crise eleitoral no Afeganistão

Comissão de Queixas já enviou resultados de análises a órgão eleitoral do país; rumores indicam segundo turno

Agência Estado,

19 de outubro de 2009 | 11h08

A crise eleitoral no Afeganistão se aprofundou nesta segunda-feira, 19, quando funcionários responsáveis por declarar o resultado final da eleição presidencial de agosto se recusaram a aceitar as conclusões de uma comissão investigativa apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo que investiga fraudes pretende forçar a realização de um segundo turno, de acordo com informações de pessoas envolvidas.

 

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A Comissão de Reclamações Eleitorais completou sua investigação na semana passada sobre acusações de fraudes generalizadas e intimidação nas eleições de 20 de agosto. Dois funcionários estrangeiros que viram os resultados afirmam que, com os votos anulados, o presidente Hamid Karzai não possui mais de 50% dos votos, o que forçaria um segundo turno entre ele e o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah. As fontes pediram anonimato. Uma delas qualificou as conclusões como "incontroversas".

A Comissão Eleitoral Independente, porém, rejeitou os dados, segundo os funcionários. Esse grupo é controlado por aliados de Karzai. Um porta-voz do presidente disse que ele não se comprometerá a aceitar as conclusões até que elas sejam publicamente divulgadas. Isso ampliou o temor de que Karzai se recuse a ir para um segundo turno.

O atraso na formação do governo, na opinião dos EUA, dificulta o combate à crescente insurgência do Taleban no país. Pode haver também uma crise política. No fim de semana, centenas de partidários de Karzai protestaram no sul, pedindo a divulgação rápida dos resultados e afirmando que rejeitariam um segundo turno.

A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama não enviará mais tropas ao Afeganistão até que um governo "confiável" esteja atuando no país. O ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, e o senador americano John Kerry estiveram em Cabul neste fim de semana para tentar resolver o impasse.

Conclusões

 

A Comissão de Queixas enviou o resultado das análises para a Comissão Independente nesta segunda-feira. "Agora que temos os resultados da Comissão de Queixas, esperamos que a Comissão Independente implemente as ordens dadas e se mobilize para certificar os resultados finais ou realizar um segundo turno, conforme manda a lei afegã", disse Aleem Siddique, um porta-voz da ONU em Cabul. As porcentagens de votos pós-análises não foram divulgadas publicamente e o órgão da ONU aguardará o parecer da Comissão Independente para fazê-lo.

 

Não está claro o que pode ocorrer se a comissão eleitoral continuar a rejeitar o relatório. Um porta-voz da campanha de Abdullah disse que a comissão da ONU está "sob ameaça" de Karzai. "As negociações continuam, mas não há acordo." Um porta-voz da campanha de Karzai negou qualquer interferência do presidente.

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